O que importa aqui não é unicamente o confronto com uma nova matéria de expressão, é a constituição de complexos de subjetivação: indivíduo-grupo-máquina-trocas múltiplas, que oferecem à pessoa possibilidades diversificadas de recompor uam corporeidade existencial, de sair de seus impasses repetitivos e, de alguma forma, de se re-singularizar (Guatarri, 1992: 17).
A partir dessa liberação lúdica, se busca a sistematização das experiências com leituras reflexivas sobre pesquisas de especialistas no sentido de esclarecer os modos diversos ser, as possibilidades já conhecidas de desenvolvimento e os próprios limites do conhecer as deficiências. A pesquisa de campo segue esse movimento de estudo e se faz como presença ativa em instituições culturais e de ensino, buscando apreender a experiência de especialistas em atuação direta. Esse é o fundamento, o terreno de base para o jogo — porque se deseja mais que o prazer; o jogo culmina em transformação pessoal e coletiva, na maturação de todos e na auto-construção de novas identidades educadoras. O licenciando
27 Revista Matéria-Prima. ISSN 2182-9756, e-ISSN 2182-9829. Vol. 2 (3): 20-29.
para as exigências sociais. Algumas, em atitude cínica, disfarçadamente burlam as exigências legais e se dizem em ajuste para a inclusão, momento que não chegará nunca se não se prepararem para tanto. E negam, de modo indireto, as instigantes presenças da diferença nos seus quadros. Ainda há muito para se fazer. E isso nos mostra que é na formação docente que esse estado de coisas precisa se tornar imperativo: não há o que temer, mas o que aprender a atuar em muitos outros níveis — cada síndrome ou deficiênca nos exige uma postura particular, um modo único tambem de lidar com cada pessoa, pois se reage singularmente ao estado de diferença. A forma lúdica é medida para a descompressão — sair da letargia e do receio, sem temor pelos poucos recursos e o despreparo inicial e seguir em busca de aprender junto, de requerer e se envolver em equipes multidisciplinares, investir na experimentação de novos recursos no jogo com a diferença. Que alguém dentre nós não possa ver, não possa ouvir, não possa tocar (altismo e outros modos emocionais de isolamento), não possa entender e atingir um sentido comum ou mover-se de modo adequado ou esperado é o princípio desse jogo — a vida como processo de compromisso com o outro nesse desafio da aceitação sem perda do aspecto prazeroso da aproximação, do desenvolvimento que permite que sejamos liberados do resultado pré-fixado — um jogo é uma caixa de surpresas! Os processos é que são ressaltados nesse caminho, nessa aventura sensível que pode “levar a muitas descobertas, conhecimentos, experimentação de possibilidades” (Fernandes et al., 2012).