26 Frade, Isabela (2014) “Arte educação inclusiva e formação docente: o corpo ferido e a imagem especular.”
do ideal e da rigidez na adequação ao modelo. O jogo plástico, na modelagem do mundo, é um bom caminho para a diversificação e ampliação de repertórios de imagens identitárias. O eu sozinho e o eu coletivo: humanidades polimorfas O entendimento de que a aceitação é primordial na comunidade humana, e que a coletividade é capaz de encontrar novos modos de superação e aceitação do sujeito emancipado — livre da sua persona estigmatizada − é um aprendizado feliz. Essa hospitalidade incondicional (Derrida, 2004) é a entrada em um estado de humanidade em amplitude, na prontidão à outridade. Se compreende que a educação inclusiva, ao desafiar ao professor, também traz consigo um presente, que é a condição humanizante consequente à abertura para a alteridade. Guatarri declara o aporte ético-estético necessário às disciplinas que se engajam na ecosofia contemporânea: Seus registros são da alçada do que chamei heterogênese, isto é, processo contínuo de ressingularização. Os indivídios devem tornar-se a um só tempo solidários e cada vez mais diferentes (2004: 55).
O corpo, suporte da projeção estereotipada, é a porta de entrada da disciplina da hospitadidade e da emancipação. É através de suas falhas, de sua incompletudes, que se iniciam nossa interrogações sobre a escola inclusiva e seus espaços de arte. É pela percepção que esse corpo exige — como ele é visto e se é respeitado, e do modo como é olhado e julgado como parte de um conjunto de formas análogas — mas não iguais. As delicadas nuances de cada um são observadas no sentido de buscar suas conformações particulares. Todos somos diferentes e, nesse encontro com a própia singularidade, a deficiênca nos apresenta a perspectiva global humana, nos interroga sobre os limites e possibilidades de todos. Nos inquire sobre a condição humana e seus limites, e nos provoca a rever juízos sobre nossos modelos quando a inteligência, a sensibilidade e a afetividade estão apreciadas de modo mais intenso, em forma qualitativa. Se os aspectos cognitivos seguem sempre medidos em forma quatitativa pelos poderes instituídos, nossas escolas devem superar esse patamar de exigência — ainda muito aquém para seus desafios no educar — é que a desobediência sã dos que desejam mudar o mundo pode muito bem começar por aí. Descobrimos que, quanto mais antiga é uma instituição, mais dificuldade esta tem de se adaptar aos novos clamores pela inclusão. Não há incentivo, nem fiscalização nas escolas. Elas pouco a pouco se adaptam, em ritmo muito lento