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MATÉRIA-PRIMA 3

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24 Frade, Isabela (2014) “Arte educação inclusiva e formação docente: o corpo ferido e a imagem especular.”

sociedade abarrotada de informação mas cada vez mais destituída de sentido. Dessa forma, podemos contar aqui também a formação docente: desde o campus estão sentindo a pressão pelos resultados. Seguir em frente — confundido formação com informação — é a consequancia nefasta desse modo de atuação. Nesse sentido, não se pode lutar de frente — isto é, negar os indices de medida, ainda que se duvide e se reconheça as suas limitações, mas de ultrapassá-los, reverter esse sentido é fazer olhar o mundo da educação como um mundo do encontro. Negá-lo seria perecer. É preciso um pacto inicial. O cinismo do consultor pedagógico obsessivo, com seu “tabulário-forcéps” que brutalmente obriga a nascer — mesmo que ainda não se esteja em condições, sem a maturação emocional e afetiva que o sistema rejeita e busca eliminar, é o campo que a educação inclisiva faz nascer e projeta, bem no meio de uma condição árida da congnição desencarnada e desencantada, um novo processo. Recria no deserto — de sentido, de afeto negado — o momento do encontro de da aceitação. As emoções, sendo olhadas e aceitas, inplicam no trato com a intimidade entre colegas e a assunção da diferença. Nesse aproximar-se, ocorre o entendimento entre modos diversos de pensar o mundo, jeitos de ser particulares; personalidades que, convocadas a partir de suas histórias de vida, implicam em um enriquecimento da experiencia intersubjeticva. Em se tratando de uma abordagem inclusiva da pedagogia da arte, revela-se a singularidade essencial, em que a verdade emocionante das dificuldades, deficiências e defasagens de cada um (Figura 3, Figura 4). O compartilhar trajetórias procura arregimentar o potencial de cumplicidade latente no grupo. É a base afetual que, somada aos estudos técnicos sobre deficiências incapacitantes humanas e seus direitos, nos permite inquirir sobre os possíveis modos de lidar com seus portadores, como apoiá-los em um processo formativo em artes. Padrões sociais da forma física instauram exigências que devem ser cumpridas para que se possa adquirir uma identidade positiva. O descrédito que é impigido ao sujeito fora da norma estabelece restrições às sua relações, ao modo como é recebido, pois sua identidade social recebe uma antecipada valoração negativa e, ainda que possa reagir e demonstrar atributos positivos, essa é expectiativa geral a seu respeito, a que rege o modo como será recebido. Esse é um sujeito estigmatizado (Goffman, 2008). Desses limites pré-atribuídos, estão as formas físicas destituídas de beleza, a deformidade sempre chegando em anterioridade ao que seu possuidor possa, talvez, em alguma medida, reagir e reverter. A educação inclusiva em artes pode atuar na identificação e composição de novos referenciais. A expressao “mirada no espelho” se refere a essa ultrapassagem. O combate à esteriotipia é a maneira de atuar, ao questionar os limites


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