100 Afonso, Salomé Ferreira (2014) “Diário Gráfico ou a nossa Memória Externa.”
3. Caça ao tesouro O principal desafio para qualquer professor nos dias que correm está nas estratégias diferenciadas a que poderá recorrer em aula para cativar os grupos de crianças e adolescentes, com as características vincadas desta geração, em que o tempo será a primeira premissa caracterizadora. O tempo dita a predisposição infanto-juvenil atual talvez porque a evolução tecnológica assim os educou. Hoje, ao contrário das gerações anteriores, que esperavam que uma cassete rebobinasse para verem um filme ou ouvir uma música, que esperavam por um livro requisitado por alguém numa biblioteca até à semana seguinte, que esperavam que a internet ligasse ou esperavam por um amigo num café porque não existiam telemóveis, a geração atual aprendeu a mover o seu pensamento à velocidade de um clic no computador e se a sua motivação está direcionada para conhecer sempre mais e mais rápido, esse consumo também não é aprofundado, muitas vezes é desprovido de significado e não lhes deixa qualquer registo significativo na memória. O interesse rapidamente se esgota quando se esgota a novidade. Será redundante falar da inquietação dos adolescentes porque é uma característica comum a todas as gerações. A adolescência é vista como momento nevrálgico dentro desta edificação contínua que é o desenvolvimento, pois é nela que o indivíduo reorganiza os elementos identitários da fase infantil contrapondo-os ao mundo social encenado. Assim, busca a formação de uma identidade própria, uma vez que já tem um eu capacitado a incorporar papéis sociais, ideológicos, morais e profissionais (Erikson, 1956).
No entanto é importante comparar esta fugacidade de acontecimentos na vida dos jovens com as gerações anteriores pois o professor terá de alterar as suas estratégias de ensino em prol, não só das tecnologias e usando-as como recurso em aula, mas também tendo em conta as mudanças que estas trouxeram ao modus vivendi dos jovens. E como desacelerar a vida de um aluno pré-adolescente ou adolescente de forma a levá-lo ao encontro de competências e conteúdos, mostrando-lhe um caminho e fazendo-o crer que chegou lá pelos seus próprios meios? Como incentivar e promover a descoberta pessoal? E de que forma essa descoberta poderá facilitar a sedimentação do conhecimento adquirido? A resposta que encontrei através desta turma foi: curiosidade. A curiosidade move montanhas e levanta os alunos das cadeiras da sala de aula na esperança de encontrarem respostas por eles. Outra questão que levantei aquando da realização do projeto foi: de que forma suscitar a curiosidade no aluno através de um meio que não corresponde aos seus requisitos de aceleração de que falei há pouco, desassociado