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MATÉRIA-PRIMA 2

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82 Aristimuño, Felipe (2013) “Os memes na representação de identidades adolescentes: Uma proposta de pensamento acerca do ‘eu’ em uma aula de arte.”

A comunicação de massa e interpessoal no ciberespaço expandiu (e segue expandindo) os mundos habitáveis (cibermundos), gerando um confronto entre os símbolos regionais e os globais e, por isso, instabilidade entre o entendimento do “eu” interior e do “eu” social. Um sujeito pós-moderno pode ter, por exemplo, como língua predominante o inglês nas suas relações diárias, independentemente de onde nasceu. Na rede social, o seu perfil é aberto e sempre possível de ser alterado. Ele pode, inclusive, ser dois sujeitos paralelos, tendo perfis diferentes conforme seus objetivos nas diferentes redes de relacionamento. Serão estes perfis índices para entendermos o conceito da identidade contemporânea? Paul Virilio (1997: 44) afirma que a internet pode acabar com a percepção que temos do nosso corpo próprio e que o desafio contemporâneo é ser um cidadão do mundo com consciência do aqui e do agora (hic et nunc). O corpo próprio, que relaciono aqui com a ideia de identidade (consciência do eu), é composto por três corpos diretamente ligados, conforme Virilio: o corpo territorial (conectado ao planeta e à ecologia); o corpo social e o corpo animal e humano (1997: 46). Para o autor, não há corpo próprio sem mundo próprio. Ser é estar presente aqui e agora. O “muro”, onde os usuários expõem seus posicionamentos e constroem suas narrativas (através de imagens, textos e mídias) nas redes sociais pode representar o corpo virtual que, conforme Virilio, faz oposição aos corpos territorial e animal, levando a perda da consciência do corpo próprio. As narrativas no muro são construídas a partir da história dos usuários, como uma colcha de retalhos global. Esses retalhos não devem, porém, ser escolhidos por acaso. Pensar criticamente o ciberespaço como representação simbólica do eu é papel da educação da cultura visual, através do desenvolvimento da visual literacy (Hernandez, 2009: 22). As grandes empresas de internet, certamente, têm consciência do seu poder na representação das identidades, vendendo ‘a peso de ouro’ cada informação acerca dos usuários no mercado da publicidade direcionada. Pensar desde diferentes ângulos a nossa identidade através da representação visual pode ser um caminho para o entendimento dos mecanismos dessas redes e como podemos tornar-nos, para além de consumidores de imagens, produtores de sentido no mundo e no cibermundo. 1.2 O que são memes?

Richard Dawkins, em 1976, definiu a partir do termo grego “mimeme” o conceito de “meme”, uma unidade mínima de conhecimento/imitação, análoga ao gene biológico, que compõe o caldo da cultura humana (2006: 189). Os memes, conforme Dawkins, podem ser melodias, ideias, slogans, modas de vestiário e


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