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MATÉRIA-PRIMA 2

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1. Pensando os conceitos 1.1 Identidade pós moderna no ciberespaço das redes sociais

Por sua origem latina, a palavra identidade (identi den) sugere o idêntico, uma coisa que é sempre igual e não se modifica. Este conceito foi aplicado diretamente ao sujeito na modernidade, baseando a identidade em coisas consideradas universais e imutáveis, como a razão e a moral. Em oposição, o sujeito pós-moderno, ou contemporâneo, é fragmentado, composto não de uma única, mas de várias identidades, por vezes contraditórias. Stuart Hall afirma que as mudanças institucionais e estruturais nas culturas contemporâneas vêm produzindo esta instabilidade na identidade do sujeito pós-moderno (2004: 12). Entre as mudanças, Hall destaca o anti-humanismo, que gerou um grande impacto no pensamento moderno, acabando com o conceito de “essência universal de homem” (2004: 36).

Revista Matéria-Prima, Práticas Artísticas no Ensino Básico e Secundário. ISSN 2182-9756, e-ISSN 2182-9829. Vol. 1 (2): 80-88.

Estudar a identidade em uma aula de arte é, dentro do paradigma pedagógico da cultura visual, um desafio latente e fundamental no que toca o desenvolvimento da percepção do “eu” no mundo cultural. Por isso, penso neste artigo acerca da identidade enquanto conceito e sua relevância na prática educativa das artes visuais em contexto escolar, tendo como base o estudo de caso aplicado em campo. A proposta que serve como caso para estudo neste artigo consiste na experiência de utilização de imagem “memes” em uma aula de artes. Os memes em questão são personagens genéricos que, ao invés de personas, representam estados de espírito como “solidão” (forever alone), espanto (poker face), coragem (challenge acepted), etc. Essas entidades visuais abundam atualmente nas redes sociais de diversas formas, principalmente como história em quadrinhos (banda desenhada), descrevendo situações humorísticas quotidianas. Essas imagens são produzidas de forma anônima por milhões de pessoas ao redor do globo, unidos por uma linguagem de representação visual mundial, móvel, constituindo as identidades do “sujeito pós-moderno”. Como proposta, levo os memes para a sala de aula e proponho a tomada de consciência e crítica acerca dos conceitos de cultura e identidade através de uma experiência de apropriação criativa. Enquanto educador/pesquisador, proponho o pensamento acerca da possibilidade de abertura na prática pedagógica em artes visuais, enxergando a linguagem contemporânea das redes sociais como uma nova narrativa geradora de muitos significados relevantes no estudo da cultura contemporânea, materializada na representação visual gerada e consumida nesses espaços.

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Introdução


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