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MATÉRIA-PRIMA 2

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76 Neusa Loreni Vinhas (2013) “Objeto Malasartes e a mudança de foco no perfil de professor de Artes Visuais.”

fazer/ contextualizar ou ainda fazer contextualizar/ ver/ contextualizar. Assim o contexto se torna mediador e propositor, dependendo da natureza das obras, do momento e do tempo de aproximação do fruidor, enfim, da unidade “subjetil” (sujeito + objeto). (Barbosa, 2006: 8).

Esta dinâmica fica entrelaçada ao objeto de aprendizagem Malasartes quando se apresenta como um conceito que pode ser reconstruído ou construído ao longo de uma viagem. Um atelier que pode deslocar-se, uma estratégia do “inusitado” em que professor e alunos podem aprender de modo significativo. Poderia ser uma intervenção? 4. A Trama — Objeto de Aprendizagem / Malasartes

O objeto de aprendizagem é um conjunto de três malas antigas garimpadas intencionalmente pela sedução por objetos com marcas. Vestígios podem delinear memórias, marcas que me importam como testemunhas de outras fisicalidades. Potencializa expedições. Chamei de “Malasartes.” Pensei no museu portátil de Marcel Duchamp (1887-1968) e como a arte contemporânea e suas propostas poderiam permear este percurso. Um nome que pode ser, simplesmente, mala no plural. Três malas, de três tamanhos que possam articular três imagens, e que pode causar desequilíbrio. Um sentido instável, de desacordo, de desconstrução com a forma de ensinar arte, com o modelo que emana de algumas propostas, com as imensidões de dúvidas que permeiam a contemporaneidade e que fazem o professor de artes exercer uma curadoria desafiadora a cada ano letivo. O nome Malasartes pode remeter ao personagem Pedro Malasartes, tradicional nos contos da cultura portuguesa e brasileira. Perceber o papel das invenções de Pedro Malasartes que andava de um lugar para outro contando histórias pode colocar o professor também num espaço de “acontecimento” com as malas, com as chegadas e saídas. Este espaço, ou o movimento andarilho presente nas malas, pode ser também fascinante, quando o universo da escola apresenta-se muitas vezes idêntico e imóvel, como as concepções na educação e na arte: aparentemente anestesiadas. Por fim, o principal entrelaçamento que busquei com o objeto e seu nome se dá com a ”Revista Malasartes” que teve apenas três números, entre dezembro de 1975 e junho de 1976. O objetivo da revista é interferir no debate da época, ao analisar a situação da arte contemporânea brasileira e propor alternativas para os seus impasses. E o nome Malasartes se coloca mais uma vez articulado por essa proposta da revista. ”interferir” torna-se uma palavra importante quando o convite que se faz como educadora, é um convite para viagem.


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