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MATÉRIA-PRIMA 2

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Hoje a metáfora do triângulo já não corresponde mais à sua estrutura. Parece-nos mais adequado representá-la pela figura do zig-zag, pois os professores nos têm ensinado o valor da contextualização tanto para o fazer, como para o ver. O processo pode tomar diferentes caminhos, contexto/ fazer/ contexto/ ver ou ver/ contextualizar/

75 Revista Matéria-Prima, Práticas Artísticas no Ensino Básico e Secundário. ISSN 2182-9756, e-ISSN 2182-9829. Vol. 1 (2): 70-79.

escolhidos para compor o objeto. O eixo operacional — O Atelier de arte se justifica pelas possibilidades vislumbradas nas imagens, articuladas a minha própria experiência como professora/ arte-educadora. Dessa forma, pode-se também pensar que a criação de um atelier andante, móvel, que pode deslocar-se, e que propõe um movimento de ir e vir, de sair de um local e vislumbrar outro, pode vir a significar um abandono ou um afastamento do estado de aprender de forma previsível. Numa busca no Dicionário Informal (2013) escolho o significado da palavra “atelier” na relação de significados que vou construindo no texto: “Atelier” é o lugar de trabalho de pessoas com vontade de criar e onde se pode experimentar, manipular e produzir, um ou mais tipos de arte.Agora, escolho as palavras “experimentar” e “manipular” para explorar as potencialidades desejadas com o objeto de aprendizagem. Nesta perspectiva, posso aludir ainda à palavra experiência/ atelier com o signo de eterno viajante, quando busco propositalmente a escrita em alemão da palavra experiência, que é “Erfahrung,” que contém o ‘fahren” de viajar, a dimensão de travessia. Quanto à palavra “manipular,” torna-se interessante focalizá-la no sentido de “ter a mão,” significando a possibilidade de ter à mão um atelier na forma de um conjunto de malas de viagem. Um atelier/ experiência que pode deslocar-se. E a intenção com este projeto é criar condições para uma prática eficaz, pensando o aluno como um convidado a participar e perceber a arte e o contexto escolar como roteiro, mas, com a perspectiva da descoberta tanto do professor como do aluno. O ensino de artes deve ser construído como espaço de fruição, reflexão e ação nas diferentes linguagens desenvolvendo os sentidos do cognitivo, ampliando e propondo situações de experiências e exploração onde os alunos poderão compreender a arte como linguagem e contextualizá-la como fato pertinente na história. Dessa forma, ao objeto de aprendizagem como um atelier ambulante, se junta à proposta ou abordagem triangular no ensino da arte, onde Barbosa (2006) propõe ações de fazer, ver e contextualizar. A proposta de Barbosa (2006) ao longo dos anos vem sendo recriada por professores e pesquisadores na tentativa de aproximar a arte da educação e do papel que se tem como educadores e mediadores. Segundo a própria Barbosa (2006), a ideia anterior da proposta triangular envolvendo a contextualização, o fazer e a apreciação, manifestava-se antes como um diagrama em forma de triângulo, e agora se apresenta em um diagrama como um zig/ zag:


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