3. Tramando / Objeto de Aprendizagem Parar para pensar, parar para olhar, parar para escutar, pensar mais devagar, olhar mais devagar, demorar-se nos detalhes, suspender a opinião, suspender o juízo, suspender a vontade, suspender o automatismo da ação, cultivar a atenção e a delicadeza, abrir os olhos e os ouvidos, falar sobre o que acontece aprender a lentidão, escutar os outros, cultivar a arte do encontro, calar muito, ter paciência e dar-se tempo e espaço (Larrossa, 2001: 5)
Nas palavras de Larossa (2001) percebe-se a importância das experiências de aprendizagem que nos compõem e as suas intensidades nos colocam diante de uma trama, de uma mescla onde não podemos separar autoria do exercício de ensinar, que também é vida pessoal. O estado de experienciamento que tanto me “persegue” continua intenso neste processo de criação do Objeto de Aprendizagem que chamei de Malasartes. A primeira relação com o objeto de aprendizagem Malasartes foi colocada na escolha da imagem-chave da obra de arte selecionada e nos conceitos que justificam as pranchas elaboradas por todos os alunos, entre as quais selecionei duas que complementavam/ questionavam a minha própria escolha. Uma segunda relação entre as imagens escolhidas foi definida na articulação/ desarticulação com as imagens das colegas. A minha escolha foi a imagem da obra fotográfica de Cláudia Andujar1, Série “Marcados,” fotografia (políptico), 38,5cm × 57 cm, 1981-1983, que contextualizei com os conceitos e imagens: Reflexão/ Reconstrução/ Protagonismo, conforme figuras 1 e 2. Os conceitos de reflexão, reconstrução e protagonismo, que escolhi para dialogar com a imagem podem ainda articular outras investigações e são
Revista Matéria-Prima, Práticas Artísticas no Ensino Básico e Secundário. ISSN 2182-9756, e-ISSN 2182-9829. Vol. 1 (2): 70-79.
Novas percepções, deslocamentos e constante pesquisa fazem parte de nossa bagagem com diferentes alunos e algumas escolas. Cenários se repetem, cenas se multiplicam ou retornam à memória. Nesse caminho que venho percorrendo, minha busca passou a incluir, portanto, o curso de Artes Visuais, um curso à distância, que se apresentou como uma proposta difícil de ser compreendida como possibilidade, mas que me engajei, pois a princípio pensei ser um modelo inédito. Formou-se uma rede, uma pequena rede de interesses, de cooperação, de cumplicidade e certamente de afetos, com colegas que agora passarão também a fazer parte de minha bagagem. Não me movia mais como um “corpo singular,” e, mais uma vez em minha prática faço parte de um grupo como outrora, um grupo de estudos.
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2. Reconstruindo a Trama