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MATÉRIA-PRIMA 2

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1. Um primeiro ponto — Trama Inicial

Passei por uma formação acadêmica inicial onde o fazer era priorizado conforme legislação brasileira na época, 1979. As angústias desta prática foi motivo para buscas alternativas de formação. Juntei-me a outros educadores e formamos um grupo, que durou mais de 10 anos onde relatos, discussões, novidades, pesquisas, dilemas e problemas eram compartilhados em encontros mensais. Um tempo que faz parte de nossa “bagagem.” Pensamos em Mirian Celeste Martins (2006): ”Somos feitos de fios que devem render costuras.” Este viés nos permite também olhar para a experiência como instigante dos processos de pesquisa como professores, relembrando Larossa (2004: 154) quando faz uma reflexão sobre a experiência como uma partilha, ou como algo que nos acontece: “A experiência é o que nos passa ou o que nos acontece, ou o que nos toca. Não o que passa ou o que acontece, ou o que toca, mas o que nos passa, o que nos acontece ou nos toca.” Essa experiência que nos vai construindo como fluxos que se esvaem ou tornam-se consistentes, nos fazem professores e nos desafia para ensinar arte. Mas, também devemos ser propositores envolvendo nossos alunos, podemos provocar experiências e ousar experiências estéticas. Ainda nos remetemos para a importância dessa constituição do professor de artes, pois Larossa nos sugere uma percepção diferente, e nós nos colocamos neste novo olhar como professores e nas oportunidades que damos aos nossos alunos. Se a experiência é rara, se nosso tempo se constitui acelerado, se as informações se multiplicam excessivamente, e se já estivermos sendo levados como homens e mulheres modernos, tal como Larossa afirma (2004) que: “quer sempre estar excitado e já se tornou incapaz do silêncio,” então, nos cabe parar e, ao inverso, proporcionar olhares demorados. Experiências seriam como degustações, como sabores lentos, e com espaço de fruição.

71 Revista Matéria-Prima, Práticas Artísticas no Ensino Básico e Secundário. ISSN 2182-9756, e-ISSN 2182-9829. Vol. 1 (2): 70-79.

proposta de ensinar arte tornam-se “tramas” com as memórias e questões ao longo da prática de um professor “viajante. ” Escreve-se sobre a concepção, a construção e as possibilidades de um objeto de aprendizagem. Este dispositivo, ou este disparador de aprendizagem em arte coloca-se como prioridade neste texto, embora esteja certamente imbricado com o papel de um professor que se pretende também um mediador e um propositor. A intenção neste estudo se encaminha para a fala de um perfil de professor, de uma construção profissional envolvendo as provocações que o curso de artes visuais oportunizou e todo o processo de gestão e possibilidades de um objeto de aprendizagem em artes visuais que se criou a partir de uma denominação metafórica de Malasartes.


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