68 Fernandes Junior, Carlos Eduardo (2013) “O desejo de ser mar! A arte educação na escola básica brasileira.”
Celestino Júnior, António Nóvoa, Luiza Christov e Ana Mae, são apenas alguns dos autores que já problematizaram a construção do espaço escolar ao longo das últimas décadas. No entanto, a solidão das práticas docentes representam a manutenção de um cenário de difícil superação. Sem voz não nos damos ao direito de repensar aquilo que julgamos o melhor a se fazer. Continuamos atuando em busca de soluções solitárias, sem articular o conjunto de pressupostos que organizam a escola, tais como o projeto político pedagógico, as orientações curriculares e o Conselho escolar. Repensamos os espaços da arte-educação e buscamos estas reflexões por vezes apartadas do contexto escolar. As falas dos grupos aqui expostas caminham na direção contrária. Refletem um desejo de repensar o próprio espaço escolar e a política educacional. São estas discussões que procuram dar conta do contexto escolar contemporânea e que não deseja apenas ações voltadas a prática da arte-educação, pois seus argumentos extrapolam esta área e passam a questionar o próprio “chão da escola” e a sua existência tal qual a vivenciamos. São essas mesmas vozes que cada segmento de ensino, do ensino infantil a EJA, pede que sejam consideradas na medida em que se constroem as políticas educacionais. Todos os grupos de discussão apontaram a necessidade de criação de cursos de Licenciatura que estejam atentos às necessidades da educação básica nacional, ampliando sua área de estudo no que diz respeito ao ensino infantil, ensino fundamental de ciclo I e EJA, tendo em vista que estes segmentos não são problematizados na formação inicial dos arte-educadores. Além da necessidade de ampliação do currículo das Universidades, deseja-se uma ampliação no número de estudantes do ensino superior tendo em vista o déficit de professores licenciados na diversas linguagens de artes em todo o território nacional. Voltando a ideia inicial deste artigo, desejamos descer serra a baixo. Desejamos participar da elaboração de políticas educacionais que dialoguem com o cenário escolar. Somos parte da construção da escola brasileira e precisamos estar presentes nas decisões que reconfigurem o espaço escolar, diminuindo os abismos entre as determinações governamentais e as ações docentes. Desejamos conversar sobre o que nos passa e acompanhar as correntes e as marés. Desejamos que a escola seja plural e que as Artes possam fazer parte do currículo que se anuncia com a escola em período integral. Desejamos ser Mar!