3.5 A Educação de Jovens e Adultos
Na redação das Leis de Diretrizes e Bases referente a Educação de Jovens e Adultos (EJA) observamos a caracterização de suas funções como reparadora, qualificadora e integradora, no entanto, nem sempre estas determinações são estabelecidas nas Unidades Educacionais pertinentes a EJA. O que observamos costumeiramente é uma educação suplementar à um processo educacional fracassado anteriormente. O contingente presente na EJA demanda preparação e objetivos diferentes do ensino praticado nas escolas regulares de ensino. Com isso coloca-se o cenário para o ensino de Artes com outros contornos do que apresentamos anteriormente ao longo deste artigo. Os jovens, adultos, senhores e senhoras presentes nas cadeiras das salas de aula do presente segmento de ensino carregam experiências formativas mais heterogêneas do que salas de aula do ensino fundamental e médio em que ao menos possuem idades aproximadas. A Educação de Jovens e Adultos conta com pessoas que abandonaram a escola por terem de trabalhar, por estudantes que tiveram uma vida escolar fracassada ao longo de sua formação regular e que repetências seguidas lançaram-no a EJA. Por fim, Estas características específicas apontam a necessidade de uma articulação entre as Licenciaturas e as necessidades do ensino também da EJA. Neste mesmo movimento de repensar a política educacional, apontamos também a necessidade de construção de propostas de formações continuadas que avancem nas discussões mais específicas da Educação de Jovens e Adultos. Conclusões
A partir das falas dos professores e pesquisadores da área da Arte-educação observo a necessidade de novos espaços de interlocução a respeito das práticas docentes. Os professores de Artes trabalham a partir de um relativo isolamento, pois não encontram na cena escolar profissionais que possam ampliar os significados e as possibilidade de ação que o arte-educador leva à frente. Nessa solidão docente a problematização da rotina escolar passa a ser apenas um desejo e acabamos por observar práticas educacionais que foram questionadas há décadas e que ainda estão presentes nas salas de aula. Paulo Freire, John Dewey, Rejane Coutinho, Rui Canário, Lucimar Bello,
67 Revista Matéria-Prima, Práticas Artísticas no Ensino Básico e Secundário. ISSN 2182-9756, e-ISSN 2182-9829. Vol. 1 (2): 60-69.
Por fim, os professores narram que há poucos espaços para articularem suas experiências e trocarem informações com seus pares, pois tendo em vista o número reduzido de aulas de Artes que são dedicadas a cada turma de ensino médio, é muito comum que uma escola conte com apenas um professor de Arte, que isoladamente construirá sua prática docente.