66 Fernandes Junior, Carlos Eduardo (2013) “O desejo de ser mar! A arte educação na escola básica brasileira.”
cadernos de atividades. Algumas redes de ensino municipais e estaduais, percebendo a necessidade de ampliação de seus esforços, passaram a terceirizar o ensino público, principalmente o que se refere ao ensino de Artes, contratando ONG´s (Organizações não governamentais) para atuarem no contra turno do currículo comum, assim constituindo-se em inúmeras oficinas desarticuladas de um projeto político pedagógico (PPP), documento de máxima importância no planejamento das ações que orientam cada Unidade escolar e que não pode ser desarticulado da comunidade escolar. 3.4 O Ensino Médio
A discussão presente no grupo que se dirigiu às problematizações sobre o ensino de Artes no ensino Médio acompanham a crise de identidade do próprio ensino médio, perguntando-se sobre qual o objetivo das experiências com esse grupo de estudantes. Ao longo das duas últimas décadas o número de estudantes que alcançaram o ensino médio ampliou-se bastante, sendo que apenas recentemente o ensino médio foi considerado como pertencente da educação básica. Juntamente à expansão do ensino médio, o acesso ao ensino superior também ganhou novos contornos, mantendo o ensino médio com características propedêuticas. O currículo do ensino médio atrelou-se ao Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) e aos conteúdos presentes nos vestibulares das Universidades de referência em cada Estado. Com a unificação do processo seletivo das Universidades Federais, as redes de ensino estaduais (responsáveis pelo ensino médio) colocam o ENEM definitivamente como uma referência para a composição do currículo do ensino médio. Assim, em um cenário no qual as experiências escolares tem como objetivo preparar futuros candidatos às vagas universitárias, as Artes não se apresentam como uma área a ser experienciada no decorrer dos três anos do ensino médio, aja vista o espaço dedicado às Artes no currículo (uma aula por semana). Há uma década investe-se em experiências que assegurem o direito de todos à escola pública, laica, gratuita e de qualidade e com isso as crianças com “Necessidade Educacionais Especiais” (NEEs) passaram a fazer parte das comunidades escolares, acessando outros segmentos de ensino que em décadas passadas não acessavam. Atualmente, com o ingresso de estudantes frutos das políticas inclusivas no ensino médio, a lógica preparatória para a Universidade se vê em xeque, pois o ensino voltado a este conjunto de estudantes não pode ter objetivos além de si mesmo. A escola deve lançar-se às experiências do saber, do conhecer, do pesquisar, atuando em um sentido já definido por John Dewey na primeira metade do século XX: A escola não pode ser preparação para vida, mas sim a própria vida (Dewey, 1985).