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MATÉRIA-PRIMA 2

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3.3 O ensino Fundamental de Ciclo II (6º ao 9º ano)

A partir da década de 1990 as redes de ensino começaram um movimento de uniformização de suas redes estabelecendo parâmetros para a prática de ensino, seguindo-se inciativas de avaliações externas das administrações municipais, estaduais e federal. Com o objetivo de garantir este padrão, diversas redes de ensino elaboraram ou adquiriram livros pedagógicos para as práticas docentes (apostilas) e cadernos de atividades para os estudantes. As redes de ensino que elaboraram seus materiais organizaram-se convocando alguns profissionais para elaborarem os conteúdos a serem desenvolvidos por áreas de conhecimento e para cada ano/série. Os estados que adquiriram materiais de alguns grupos de ensino (COC, Anglo, Objetivo, Universitário etc) transplantaram para o interior de suas unidades escolares uma forma de se “fazer escola”, diluindo a ideia do que venha a ser a identidade docente. Para ambas as propostas de padronização do currículo levado a frente pelas Unidades Escolares há uma questão que agride os professores, a desconsideração sobre as práticas docentes contextualizadas a cada turma, respeitando suas culturas e articulando os saberes com as práticas de cada comunidade. Neste organização o professor deixa de ser autor do processo de construção de conhecimentos e passa a ser aquele que determine o que ler da apostila e quando executar as tarefas propostas pelos cadernos de atividades. Talvez estejamos levando a frente a marginalização dos saberes contextualizados, sem avançar na valorização da cultura discente que se apresenta diariamente nas classes de milhares de escolas pelo Brasil. Assim, os professores passam a ser agentes de um processo que os retiram da cena docente, para serem colocados como mero operadores do tempo escolar. Na falta absoluta de quadros, Estados e municípios têm se disposto a levar a frente o ensino fundamental com grupos despreparados e que possivelmente se dedicarão apenas a executar as determinações que contam nas apostilas e

65 Revista Matéria-Prima, Práticas Artísticas no Ensino Básico e Secundário. ISSN 2182-9756, e-ISSN 2182-9829. Vol. 1 (2): 60-69.

Ao nos dedicarmos às pesquisas sobre o ensino fundamental encontramos dados que apontam para números muito próximos da universalização deste segmento de ensino. Passados estes esforços para a criação de redes de ensino que pudessem assegurar o direito a educação para todos, é preciso qualificar as práticas de ensino e avançar em processos que fomentem novas práticas de ensino que não mantenham o que já foi praticado e problematizado no que se refere ao ensino de Artes (Barbosa, 2002). Por fim, os professores presentes no grupo de discussão das séries iniciais do ensino infantil apresentam a necessidade de conversar com seus pares e criar espaços de interlocução que os coloquem em trânsito.


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