348 Nunes, Ana Luiza Ruschel & Borsoi, Sandra (2013) “Práticas artísticas digitais em Artes Visuais com alunos da Educação Básica: o computador como ferramenta e hiper-ferramenta.”
não exita-se em inferir, que com estes recursos obteve- se resultados semelhantes, e comparáveis aos produzidos pelo suporte da tela e ferramentas tradicionais no processo de desenho e pintura, porque após foram apenas transportados para papel especial couche em diversos tamanhos, contribuiu sem dúvida para uma boa semelhança com obras criadas pelos métodos técnicos convencionais analógicos. Ao fazer uma reflexão mais aprofundada, inferimos que nesta forma de produção o computador contribuiu para iniciação ao desenho e pintura aliando arte e tecnologia, mas, percebeu-se que pouco acrescentou ao trabalho de arte, como diz Zamboni (2005: 126) “via tecnologia”. Isto chamou a atenção das pesquisadoras porque os professores em sua maioria durante o curso de formação continuada explicitaram sua preferência ao uso das ferramentas tradicionais como a tinta, tela, lápis, cavalete, pincel de pêlo, e outros suportes, dizendo não sentirem os mesmos resultados com a arte digital, que, segundo esses profissionais, é simplista, a textura é desqualificada porque mais visual do que tátil, a cor é difícil para conseguir as tonalidades, e ainda, a técnica é limitada no processo de construção. Eles mesmos (os professores) sentiram a perda da materialidade, criando um impacto diante dos resultados da obra criada. Sem dúvida percebeu-se que os procedimentos técnicos estavam balizados pelo modo de produção tradicional e que as ferramentas exigiam nova postura frente a criação, assim sendo, não concordavam e criavam resistência no início da criação da arte digital por computador. Por outro lado, ao longo do curso houve reconhecimento de certa positividade no processo de criação, compreendendo os professores, ser este um novo modo de produção, havendo por fim uma satisfatória compreensão diante das reflexões da arte frente aos processos tecnológicos. Os professores, no processo de criação ampliavam a forma e conteúdo gradativamente a medida com que adquiriram confiança, iniciativa, ousadia, autonomia e suscitavam o diálogo e a interatividade no grupo, surprendendo-se a cada pincelada, e a cada manipulação da imagem, reveladora da forma de expressão com resultado composicional da linguagem visual e seus fundamentos e capacidade de criação por computador com melhor desenvoltura técnica de expressão formal, como se pode perceber nas Figuras 3 e 4. Portanto, a surpresa se manifestava pela rapidez e agilidade nos estudos preliminares, cujos esboços demarcavam múltiplos resultados formais, cromáticos, de texturas, gerando visualização de muitas opções na tentativa de erros e acertos, enquanto nos meios tradicionais a cada problema gerado pela técnica tem muitas vezes como única solução, recomeçar a obra por inteiro, partindo novamente da tela em branco, porque não é possível reverter o problema da expressão