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MATÉRIA-PRIMA 2

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340 Souza, Maria Irene Pellegrino de Oliveira & Puccetti, Roberta (2013) “Metamorfoseando a formação de professores de arte: implicações do PARFOR.”

[...] hoje pensando no que aprendemos, ficou claro que as vivências pessoais no decorrer desse tempo se organizaram. O tempo pra mim nos amadurece, mas não sei se é igual para todo mundo. Porque quando eu cheguei aqui na graduação eu não tinha a dimensão de que isso mudaria minha prática pedagógica, hoje eu trabalho de fato com ensino de arte na aula. [...] Então, meu Deus, eu aprendi foi muito! Eu consegui até mudar a direção da minha escola, de eles compreenderem que o trabalho com arte não é aquilo que a gente fazia, que a arte pode contribuir na formação do nosso aluno, ainda que no meu caso, meus alunos tenham deficiências severas. O tempo é o de parar, pensar, elaborar o que os professores trabalham com a gente no curso e eu pensar como vou trabalhar com meus alunos (que não falam), é um exercício relativamente longo. Assim, o tempo para mim não é aquele de estudar no sábado e usar na 2ª feira (S.O., comunicação pessoal, 2012).

Estas palavras mostram que a transformação pessoal pela reformulação de conceitos é possível sim e tudo isso contribui para que o cotidiano escolar tenha mais sentido a todos os envolvidos. E a ação do tempo na vivência da professora lhe permitiu apropriar-se de sua própria vida, dado que a experiência é algo singular. Suas palavras ecoam no pensar de Bondía: [...] o saber da experiência é um saber que não pode separar-se do indivíduo concreto em quem encarna. [...] somente tem sentido no modo como configura uma personalidade, [...], uma forma humana singular de estar no mundo, que é por sua vez uma ética (um modo de conduzir-se) e uma estética (um estilo). Por isso, [...] ninguém pode aprender da experiência de outro, a menos que essa experiência seja de algum modo revivida e tornada própria (Bondía, 2002:4).

Considerações finais

Falar de formação continuada/permanente implica em considerar os ensinamentos de Nóvoa (1992), uma vez que há muito equívoco em pensar que a formação docente se constitui por acúmulos de cursos, de papéis, de métodos ou títulos, mas, ao contrário, de muita reflexão, autocrítica, reorganização do conhecimento e renovação do fazer docente. Os dados aqui apontados possibilitaram reflexões sobre a relevância da formação continuada trazida pelo PARFOR, pois observamos grande impacto nos professores/ estudantes, principalmente, ao cursarem as disciplinas voltadas para as linguagens da arte, porque os equívocos relativos à ausência de formação na área se fazem notar. Além disso, o curso regular de Artes Visuais está passando por reformulações desencadeadas pelas experiências no PARFOR, afinal, ter o chão da escola presente na academia representa pensar mais concretamente a formação de professores. Uma professora estudante relatou que quando foi assumir aulas de Português se viu obrigada a assumir também as de Arte e


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