[...] O que eu aprendo aqui é como um planejamento. O PARFOR é isso, são as minhas horas atividade, quando eu faço o planejamento para os meus alunos no ensino fundamental. Então os assuntos que os professores trabalharam com a gente eu adaptei para os meus alunos. Por exemplo, as imagens que vi com uma das professoras de história da arte, foram as primeiras imagens que levei para a sala de aula (M.A.C. comunicação pessoal, 2012).
A fala da professora estudante nos leva a pensar na relevância desse Programa, pois, por mais boa vontade e afinidade que o docente possa ter com a área de arte a falta de formação específica produz efeitos devastadores nos alunos da educação básica. Alguns depoimentos revelam a maturidade expressa em situações de formação continuada, principalmente ao garantir que não é mais possível permitir o desrespeito à arte, que esta deve ser a produtora de conhecimentos e não apenas recurso para as outras áreas. Ainda, a reflexão acerca das ações em sala de aula orienta o processo de construção do fazer docente como possibilidade de superar o senso comum (Cunha, 2012). Autores afirmam que os professores ao falarem de suas ações docentes necessitam contar suas experiências pessoais para justificarem a importância de certas ações. Eles dizem que por metáforas e figuras pontuais é possível descrever as relações presentes no cotidiano escolar. A relação alunos/professores leva a um processo de autoconhecimento que coloca em evidência as próprias emoções, o valor dos objetos pessoais, enfim, tudo o que faz sentido e o leva a ensinar como ensina (Tardif, 2000). Este pode ser o exemplo (Figura 2) de um trabalho que é fruto de um olhar cuidadoso da professora estudante em relação aos seus alunos da Educação de Jovens e Adultos. Algo que ela compreendeu dentro da disciplina de Metodologia do Ensino de Arte quando se viu obrigada a buscar em sua memória objetos significativos que fizeram parte da sua história de vida. A professora estudante S.O. é enfermeira e atuou na área por muitos anos, entretanto, acreditava que se estivesse na escola poderia ajudar mais as crianças do que no hospital ou no posto de saúde. Assim, foi cursar pedagogia, prestou concurso para a educação especial porque a experiência anterior deu a ela condições de compreender melhor os deficientes. É a história de vida levando a buscas profissionais. Há alguns anos ela atua na educação especial e seus alunos têm deficiências intelectuais significativas. Vejamos sua visão sobre o significado do tempo na sua formação:
339 Revista Matéria-Prima, Práticas Artísticas no Ensino Básico e Secundário. ISSN 2182-9756, e-ISSN 2182-9829. Vol. 1 (2): 334-342.
A professora estudante M.A.C. ao relatar como se dá a ação do tempo na construção de seu conhecimento, bem como a relação teoria e prática e seu uso na ação docente, deixa clara a mudança de olhar: