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Em realidade, a relevância do PARFOR está na possibilidade de transformação da prática docente, pois se fundamenta em outro olhar para a arte e seu ensino:
Souza, Maria Irene Pellegrino de Oliveira & Puccetti, Roberta (2013) “Metamorfoseando a formação de professores de arte: implicações do PARFOR.”
Ainda não tenho uma resposta concreta [...], porém sei que me desprendi daquela concepção afetiva+sentimentalista+expressiva. Hoje, a arte na minha vida ocupa um espaço voltado para o conhecimento, para a reflexão quanto à importância para minha vida e o porquê preciso dela. [...], enquanto professora, enquanto indivíduo, a arte abriu meus pensamentos e me despertou para uma crítica mais ponderada e fundamentada teoricamente. (R.A.P. apud Cunha, 2012:19)
Outro dado a destacar é a importância do processo de criação tanto na ação docente dos professores estudantes, como dos alunos no seu desenvolvimento e aprendizagem. Esse é um aspecto do ensino de arte que apresenta inúmeros equívocos, aliás, pelos mesmos motivos que geram o desrespeito à área — a ideia de que é preciso “nascer com talento para”, caso contrário, o professor e seus alunos sabem apenas “enfeitar bem a escola”. Essa visão coloca à margem a importância da arte como área do conhecimento e a valorização dos processos de criação, que sempre estão presentes no desenvolvimento das potencialidades. Cunha ressalta muitos professores estudantes desejavam há tempos fazer um curso de Artes, apesar da experiência, faltava-lhes clareza sobre a Arte como expressão da cultura e como produtora de conhecimento e, após o curso passaram valorizar o ensino de arte colocando-o em primeiro plano (Cunha, 2012). 3. Da prática à teoria: uma via de duas mãos
Vários professores estudantes revelam não mais conseguir ficar sem estudar, principalmente, ao elaborar uma nova proposta, o apoio teórico é fundamental para a prática. Este é um sinal de que por mais difícil que possa ser a reformulação de conceitos, ela é possível quando a proposta de formação permanente dá oportunidade e espaço para o professor estudante refletir acerca de sua prática docente, o que poderia se dizer é o próprio processo da pesquisa-ação. Pelas lentes de Kincheloe (1997), a pesquisa-ação é um importante componente transformador da educação, pois, a partir dos princípios desse método é possível desenvolver a consciência e uma visão crítica com os alunos. O trabalho do professor é semelhante a uma pesquisa-ação, pois se constrói dia a dia e nesse processo a reflexão é inevitável, ou melhor, é componente obrigatório, porque os professores cumprem não só a função de contribuir na mudança de seus alunos, como também na própria mudança; é um constante mudar e ser mudado, ser analisado e analisar. Pode-se dizer que esse compromisso do professor produz um pensar sobre a própria consciência, desse modo, ele encontra novos e inesperados caminhos.