326 Martins, Vera Lúcia & Oliveira, Ronaldo Alexandre de (2013) “Memória, Objeto e Lugar: Descobrir-se e Desdobrar-se na Arte, na Educação e na Vida.”
as fazendas vendendo os mais diferentes produtos, o meu Cachorro de Louça. Segundo meu pai, a lojinha fazia parte do caminho percorrido pelos migrantes que vinham desbravar o sertão do Paraná, o Norte Pioneiro. Meu pai resolveu levar o bibelô (Figura 2) para decorar nossa casa; seria um objeto que traria alegria, beleza e arte ao nosso lar. Assim, meu pai desvelou que o gosto estético não é privilégio de determinada classe social. Ao analisar esta experiência e ao entrar em contato com autores, artistas e teóricos, percebo o quanto meu pai ensina a mim, à escola e à educação, pois, tradicionalmente, privilegiamos determinadas representações do que pode ser arte ou não, do que pode fazer parte do currículo ou não. Estudos como os de Ivone Richter (2009), Arthur Efland (2005), Santomé (2001) e tantos outros apontam para um currículo multicultural no ensino da arte, que englobe a estética do cotidiano e os saberes e fazeres culturais das minorias. De acordo com Santomé: Quando se analisam de maneira atenta os conteúdos que são desenvolvidos de forma explícita na maioria das instituições escolares e aquilo que é enfatizado nas propostas curriculares, chama fortemente a atenção à arrasadora presença das culturas que podemos chamar de hegemônicas. (Santomé, 2001: 161)
Figura 2. Sequência de imagens — Parada de ônibus no município de Santa Mariana — 1960. Bibelô de louça. Vista aérea do Sítio Santa Mariana — 1991, Santa Mariana, Paraná. Arquivo da autora.