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MATÉRIA-PRIMA 2

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Martins, Vera Lúcia & Oliveira, Ronaldo Alexandre de (2013) “Memória, Objeto e Lugar: Descobrir-se e Desdobrar-se na Arte, na Educação e na Vida.”

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Introdução

O estudo que se segue busca refletir sobre um processo / percurso de formação e atuação docente em arte, no Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica (PARFOR). O Parfor é um programa constituído por uma parceria entre o Ministério da Educação (MEC-BRASIL), a Secretaria da Educação do Estado do Paraná (SEED) e as Universidades, para oferecer cursos de licenciatura e formação pedagógica para professores de escolas públicas. No caso deste estudo, a parceria foi realizada com a Universidade Estadual de Londrina (UEL), no curso de segunda Licenciatura em Artes Visuais. Assim, este artigo apresenta a análise de vivências (docentes e discentes) no decorrer desse processo de formação no PARFOR, no período entre agosto de 2010 a dezembro de 2012. Dentre tantas experiências vivenciadas no processo formativo foram selecionadas as desenvolvidas nas disciplinas de Metodologia e Prática do Ensino de Artes Visuais I e II e Gravura, que teve objetos pessoais e a memória enquanto fios condutores. Para analisar o desdobramento desta formação na prática docente em sala de aula da escola de educação básica, foi selecionada uma experiência desenvolvida com os alunos da Escola Rodolfo Wild − Educação Infantil e Fundamental, na Modalidade de Educação Especial, na cidade de Santa Mariana — Paraná, com as turmas da Educação Infantil e do Fundamental do período matutino, totalizando 23 alunos e 20 encontros, no decorrer do primeiro semestre de 2011. O estudo se refere à memória do lugar e foi efetivada por meio de entrevista a pioneiros, visitação as suas casas e a produção visual. Este entrelaçamento entre memória — objeto — lugar, que nasceu nas aulas da graduação, reverberou na atuação docente, numa tentativa de trazer para o cotidiano da educação a dimensão educação, arte e vida. O trajeto histórico percorrido pela educação traz indagações e inquietações quanto à formação e atuação do professor que enfrenta, a cada dia, uma nova realidade social que nem sempre respalda suas principais necessidades além de, muitas vezes, relativizar e descaracterizar seu trabalho. Nóvoa (1995: 15) chama atenção para a literatura pedagógica que, por décadas, descentralizou o professor da dinâmica educativa, o que acabou por descaracterizar o educador e o processo de ensinar, embora este não tenha perdido seu maior tesouro, ou seja, “a maneira íntima de ser professor,” que está relacionada à sua trajetória de vida. Propor metodologias para o ensino de arte que partam somente do lugar onde se está inserido é estar pré-disposto a desenvolver um currículo cristalizado, estagnado, prescrito. Paulo Freire adverte sobre esta questão quando diz que “é errado ficar aderido ao local, perdendo-se a visão do todo, errado é também pairar sobre o todo sem referência ao local de onde veio” (Freire, 1992: 88-89.)


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