– um conteúdo reflexivo: Que Lugar é a Portela?; – um conteúdo vital: a Portela, conteúdo relacionado com a vida atual do aluno; – um conteúdo auto-selecionado, uma vez que a natureza do conteúdo reflexivo permitia ao aluno, dentro do conteúdo vital, escolher a perspetiva que mais lhe interessava desenvolver; e – um conteúdo profissional, uma vez que se trata de um conteúdo vital que poderia ser também trabalhado profissionalmente de tal maneira que os produtos finais serão para além de produtos académicos, produtos profissionais que irão ser publicados e utilizados pela Junta de Freguesia da Portela. Seja qual for o nome que se dê ao modelo curricular no qual assentou este projeto a intenção era baseá-lo num processo construtivista do conhecimento e portanto a nossa postura, durante o seu desenvolvimento, foi no sentido de mediar os alunos para que estes estabelecessem um compromisso de trabalho, entre eles próprios e os elementos gráficos produzidos, que permitisse uma resposta, primeiro individual (postal) e depois em grupo (compilação de postais), ao problema antropológico e social que é a definição da Portela enquanto Lugar. Procuramos orientar os alunos na procura de respostas para além das imediatas, mediando-os na demanda de atribuir um sentido ao seu processo criativo pois acreditamos que só assim o objeto artístico final será capaz de agir ativamente sobre o contexto que o rodeia. Realizaram-se ao longo do desenvolvimento do projeto várias sessões de
317 Revista Matéria-Prima, Práticas Artísticas no Ensino Básico e Secundário. ISSN 2182-9756, e-ISSN 2182-9829. Vol. 1 (2): 311-320.
conceito de Lugar é um conceito pós-moderno que resulta da reflexão de Marc-Augé sobre os efeitos da pós-modernidade no mundo que nos rodeia. No fundo o conceito de Lugar, «enquanto espaço antropológico, identitário, relacional e histórico» (Augé,1994: 89) é uma negação dos efeitos da «pós-modernidade». Fomentou-se assim a desconstrução da realidade que rodeia os alunos para se conseguir desenvolver reflexões e significados pessoais. O curioso é que a Portela foi construída com base nos conceitos modernistas de racionalidade, de estandardização e de homem modelo. Portanto pretendeu-se, ao «jeito» da EAP, trabalhar com uma mescla de conceitos que configuram a realidade dos alunos. Também o currículo placenta procura trabalhar com uma realidade externa ao contexto educativo mas, nesse caso, achamos que Acaso (2005) foca-se mais numa realidade ligada à comunicação visual e às imagens que nos rodeiam e não ao espaço, como é o caso deste projeto. De qualquer maneira se olharmos mais amplamente para a estrutura de conteúdos do currículo placenta (Acaso, 2009: 211) encontramos algumas semelhanças com a estrutura deste projeto na medida em que estabelecemos: