315 Revista Matéria-Prima, Práticas Artísticas no Ensino Básico e Secundário. ISSN 2182-9756, e-ISSN 2182-9829. Vol. 1 (2): 311-320.
com diferentes abordagens conceptuais e plásticas. Foram incentivados a elaboração de micro-relatos onde se pretendeu reconstruir os processos criativos dos artistas, sugeridos por Acaso (2009) no seu currículo placenta e também por Walker (2004). Esperava-se que os exemplos mostrados tivessem um papel fundamental na motivação do aluno, na construção de uma cultura visual individual e no entendimento de que, por detrás de uma obra artística, existe todo um processo conceptual que a suporta e valida. Assim o estudo da perspetiva surge como um meio e não um fim. Cada aluno escolheu depois, dentro das várias composições gráficas que realizou, a que melhor representava o seu modo de ver a Portela, apresentando a sua escolha, sob a forma de um postal de correio. A escolha do formato “postal de correio” (Figura 3,4 e 5) como produto final partiu de um duplo significado: primeiro a dimensão do formato incentiva a síntese gráfica e segundo, o facto de se realizarem postais de uma zona não tradicional da cidade, surge como uma provocação à ideia instituída do postal turístico que apenas retrata uma zona da cidade mais central, que muitas vezes não corresponde à vida real da cidade. Apesar de ter uma base pragmático-reconstrutivista (Efland, 1995) este projeto não se encaixa num único desenho curricular formalmente definido enquanto proposta educativa. Como se toca em dada altura na História da Arte e como se definiu que uma das metas finais é «produzir Arte», o currículo desenhado pela DBAE (Discipline-Based Art Education) está nitidamente presente neste projeto. No entanto achamos que a proposta educativa designada por Acaso (2009) como Educação Artística Pós-Moderna (EAP) é a que mais se aproxima dos pressupostos conceptuais do projeto, apesar de não incluir a prática artística. Mas este projeto toca ainda, em vários pontos, na proposta educativa desenvolvida por Acaso (2009), o currículo placenta. Em comum estas três propostas incorporam atividades de análise e reflexão, reconhecem como meta da Educação Artística o «Aprender a Ver» e valorizam e avaliam mais o processo do que o produto. O que se pretendia como meta final não era uma representação objetiva da realidade mas sim uma interpretação metafórica da mesma. O modo como os alunos poderiam construir essa metáfora poderia ser através das principais variáveis pós-modernas: Desfragmentação, Ironia e Pastiche ou Collage (Acaso, 2009: 133) ou por outras variáveis utilizadas ao longo da História da Arte. No fundo achamos que fomos mais uma vez ao encontro da EAP pelo eclético das nossas recomendações. De qualquer maneira estas variáveis nunca foram apresentadas aos alunos de forma expositiva, elas foram surgindo de modo natural ao longo do desenvolvimento dos trabalhos, na ação. De igual modo o contexto do projeto é claramente pós-moderno. O próprio