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MATÉRIA-PRIMA 2

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Estes lugares [antropológicos] têm, pelo menos, três características comuns. Pretendem ser identitários, relacionais e históricos. O plano da casa, as normas da residência, os bairros da povoação, os altares, as praças públicas, a divisão do território correspondem, para cada individuo, a um conjunto de possibilidades, de prescrições e de interditos, cujo conteúdo é, simultaneamente espacial e social (Augé, 1994:59).

Deste modo o desenho passa a ser também um testemunho da vida do Ser Humano, um referencial da vida do Homem numa determinada época. Compete ao aluno analisar e interpretar a sociedade atual e o desenho da paisagem urbana facilita a compreensão da vida contemporânea. O desenho da paisagem urbana deverá assim facilitar a reflexão do aluno sobre a relação entre o espaço e a sociedade. O que se pretende é que os alunos através do desenho realizem um verdadeiro estudo antropológico do espaço de implantação da sua escola e que reflita sobre a sua própria vida. 2. Dominar o Processo Criativo

Para que os alunos desenvolvam um sentimento de posse face ao objeto produzido é necessário que este seja fruto de uma atitude crítica consciente. Para que o processo criativo seja construtor de significados é importante que este seja capaz de dominar o seu próprio processo criativo não só a nível manual mas principalmente a nível conceptual e vá sempre desenvolvendo o primeiro em função do segundo. Sublinha-se assim a tese de Schön (1996), de que refletir acerca do que está a fazer enquanto se faz, influência, à sua maneira, o que se faz a seguir — reflexão na ação. É fundamental que se vá documentando esta reflexão implícita no processo de criação à medida que este for evoluindo. Sem esta documentação, a consciência da natureza conceptual do processo de criação artística perde-se facilmente. Essa documentação deverá depois ser explorada no final do projeto para que o aluno compreenda o modo como pensa e trabalha. Assim sendo, o professor deverá no final de cada projeto, ou etapa, promover debates reflexivos em que se usa uma estratégia de estruturação do pensamento semelhante à metacognição, pedindo ao aluno para explicar oralmente ou por escrito o seu raciocínio ao longo do desenvolvimento do projeto. A estimulação da metacognição (refletir sobre o nosso próprio pensamento) permite-nos controlar o nosso próprio processo de pensar, para que no futuro perante uma situação nova o aluno seja capaz de mobilizar o próprio pensamento. No fundo é a — reflexão sobre a reflexão em ação — que Schön (1996) também defende.

313 Revista Matéria-Prima, Práticas Artísticas no Ensino Básico e Secundário. ISSN 2182-9756, e-ISSN 2182-9829. Vol. 1 (2): 311-320.

e edifícios mas também por relações sociais e humanas que conferem a um determinado Espaço a caracterização de Lugar.


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