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MATÉRIA-PRIMA 2

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312 Esteves, Cristiana Ferreira (2013) “Exploração do contexto urbano de implantação da escola como matéria-prima projetual.”

12º ano da Escola Secundária da Portela e teve como principal objetivo fomentar uma real consciencialização do espaço onde o aluno habita e estuda. A par disto, neste projeto procurou-se ainda, numa fase posterior, reconstruir com o aluno o seu processo de criação artística com o objetivo de o fazer refletir sobre o seu próprio método de trabalho, potenciando metodologias de produção futuras. Tal pareceu-nos fundamental num currículo muitas vezes formalista-cognitivo e/ou académico que acaba por, muitas vezes, abafar o processamento intelectual que as artes exigem em favor do trabalho técnico. Será objetivo deste artigo descrever e refletir sobre o desenvolvimento deste projeto em específico, mas principalmente promover o debate sobre o uso do contexto urbano de implantação de qualquer escola como matéria-prima preciosa para a educação artística e o modo como esta poderá ser potenciadora de aprendizagens significativas. 1. O Contexto Urbano como Matéria-Prima

O uso do contexto urbano de implantação da escola como base de trabalho de um projeto de Arte Visuais pretende direcionar o trabalho dos alunos “para a resolução de problemas/compromissos éticos e sociais” (Marcelo,1994:45) que vivenciam diariamente. Acredita-se que o uso de problemas que são próximos aos alunos irá contribuir para a sua motivação e empenhamento e facilitar ligações a novos contextos dinamizados pelo professor. Acreditamos assim que é mais fácil construir novas aprendizagens se partimos de uma base que nos é familiar. De acordo com tal, defendemos um modelo de educação pragmático-reconstrutivista (Efland, 1995), corrente educacional que procura soluções variadas e apresenta aos alunos problemas que partem do grupo, da comunidade. O professor deverá estimular respostas para além das imediatas e procurar proporcionar aos alunos experiências significativas, de modo a formar pensadores críticos sobre o sistema social atendendo à diversidade cultural da arte e das pessoas. Esta corrente, intrinsecamente relacionada com o movimento de reconstrução social, vai beber às ideias de John Dewey (1859-1952), e nomeadamente à obra A Arte como Experiência (1934), e teve início nos anos 30 do século passado, no período que sucedeu à Primeira Guerra Mundial e antecedeu a Segunda, quando muitos professores, de todas as áreas, recorreram ao método de resolução de problemas para que os alunos, conscientes da realidade social, fossem capacitados de atuar sobre ela, e assim contribuir para a mudança (Sousa,2007:43).

Trabalhar com o contexto urbano pode carregar significados que vão para além da representação do espaço urbanístico. A paisagem urbana é marcada por ruas


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