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MATÉRIA-PRIMA 2

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292 Paim, Ivana Soares (2013) “Era uma vez e para sempre: a narrativa no ensino de artes e literatura.”

envolvem o trabalho escolar, como a dificuldade de colocar em prática os próprios valores democratizantes e emancipadores que prega, ao estar ainda estruturada por um modelo embasado na hierarquia e exclusão. Mesmo guardando em si mesma as contradições entre o tradicional e o novo, a escola é ainda “um espaço de sistematização, reflexão e compartilhamento de saberes e culturas” (Rodrigues & Santos, 2009: 101). É na prática docente que muitas vezes o contraste entre os ideais desejados e a estrutura hierarquizante da instituição acontece, principalmente ao se considerar premissas como a valorização do conhecimento trazido pelo aluno, pois o que muitas vezes ocorre, como afirma Perrenoud (2000), é um processo didático em que a informação trazida pelo aluno é suplantada e substituída pela do professor, tida como a grande verdade. Assim, ao colocar em andamento a aproximação entre a literatura e o cinema na sala de leitura, pelo viés das narrativas ficcionais, tomou-se o cuidado de ao lidar com obras que ampliassem o repertório dos alunos, não fossem apresentadas como melhores que os materiais que traziam, mas como outras obras, que abordassem pontos comuns àqueles, estabelecendo assim um diálogo entre eles em um patamar equivalente. Embora pareça fácil, na prática, valorizar realmente o repertório inicial do aluno exige do professor o esforço muitas vezes doloroso de desapegar-se de valores e saberes que conquistou ao longo de sua formação. Contudo, é também um momento de aprendizado e renovação de suas próprias convicções. No sentido de ouvir e reconhecer no saber do outro uma fonte séria de informação, o professor consegue fazer com que esse novo saber dialogue com o seu, descartando a noção excludente de certo e errado, bom e ruim, e construindo finalmente uma relação democrática com seus alunos. É sabido que o trabalho docente não tem a capacidade de solucionar sozinho todos os problemas que envolvem a escola atual, que estão arraigados a outros embates sociais e subjetivos como a desigualdade econômica e dificuldades de aprendizado; mas representa a possibilidade da mudança das relações de poder existentes no âmago da própria instituição, o que significa um grande passo em direção a sua adaptação e atualização para as novas gerações.


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