290 Paim, Ivana Soares (2013) “Era uma vez e para sempre: a narrativa no ensino de artes e literatura.”
tempo, espaço, personagens e narrador: em muitos textos literários há o desaparecimento do último, a chamada morte do sujeito, a refração de espaços múltiplos e simultâneos, e a noção de tempo como duração, que se perde e é recuperada pela memória, sonho ou desejo (Pellegrini, 2003). Tais modificações são notadas tanto nos textos em prosa como em poesia, com o rompimento do verso em rima e a presença do movimento na composição visual dos poemas, desde os poemas concretos até os holográficos nos dias de hoje. A literatura vem dialogando e transformando-se em contato com as novas tecnologias e as novas linguagens que surgem com elas, e enquanto as narrativas presentes nessas linguagens fizerem sentido para o imaginário humano, continuarão sempre a existir. 4. Filmes na sala de leitura: aspectos do projeto e sua prática
Com base no estudo sobre a trajetória e o envolvimento das narrativas ficcionais entre as linguagens literária e imagética, frutos da cultura humana, foi desenvolvido um projeto de leitura cinematográfica e literária com pré-adolescentes e adolescentes do segundo ciclo do Ensino Fundamental, na sala de leitura de uma escola municipal de São Paulo, Brasil. Partindo do conhecimento de que os alunos pertencem a uma geração muito familiar ao contato com imagens e que seus pais ou familiares pouco tem acesso à produção escrita impressa ou on-line, como livros, jornais ou revistas, surgiu a ideia de aproximar em sala de aula as duas linguagens, ampliando o que os alunos já conheciam de cada uma. A partir da narração da história de Sheherazade, os alunos foram questionados sobre o impacto das histórias na visão de mundo do sultão, e em aulas seguintes, ouviram e leram algumas histórias das “Mil e uma Noites”. Em um desses momentos, os alunos tiveram a visita da professora e bailarina Fernanda Gomes, que lhes falou sobre a cultura árabe e lhes apresentou a dança do ventre, mencionada na história de “Ali Babá e os quarenta ladrões” (Figura 1). Mais tarde, os alunos foram convidados a trazer outras narrativas e apresentaram o desejo de ver filmes de que gostassem e quisessem compartilhar com os colegas. A partir desses filmes, discussões sobre seus elementos de composição iam sendo realizadas, como os efeitos especiais, que davam veracidade ou não às cenas, o efeito que a trilha sonora tinha sobre algumas sequências fílmicas, os planos que evidenciavam ou velavam as personagens, e o porquê das escolhas deste ou de outro recurso pelo diretor. Ao final de cada filme, os alunos respondiam a algumas questões que giravam em torno de sua opinião sobre o filme e o que vê-lo significou para eles. Em meio à exibição de filmes e seu estudo, os alunos entravam em contato