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agora pelo cinema, entremeando assim a tradição da cultura popular e a indústia cultural no processo de recriação de narrativas ficcionais.
Revista Matéria-Prima, Práticas Artísticas no Ensino Básico e Secundário. ISSN 2182-9756, e-ISSN 2182-9829. Vol. 1 (2): 285-293.
3. A ficção no cinema: aproximação entre imagem e literatura
Hoje em dia, embora as novas tecnologias transformem a maneira com a qual o cinema narra suas histórias, e como o espectador entra em contato com elas, de forma cada vez mais participativa e interativa, essa linguagem que caracterizou muito da produção imagética do século XX conservou alguns aspectos da narrativa do folhetim, típico meio de divulgação de narrativas ficcionais entre os séculos XIX e início do XX. Por meio do folhetim o cinema recebeu como herança o melodrama, e o reinventou, transformando-o novamente no grande espetáculo popular que mobilizou as grandes massas, estimulando a mais forte participação do espectador (Barbero, 2009). Dirigido a um público amplo e heterogêneo, o folhetim encontrou nas formas de narrativas populares, coletivas e de fácil assimilação o modelo ideal. Sua forma narrativa era infalível para mobilizar questões de interesse comum: muita ação, diálogos vivos, personagens típicas e enredos que mencionassem aspectos da sociedade da época, tais como a luta pelo sucesso e pela ascensão social, o desejo de justiça, a realização afetiva e o mistério; comuns até os dias de hoje (Costa, 2000). O cinema é fruto do desenvolvimento social, econômico e tecnológico que se vê surgir na Europa e nos Estados Unidos a partir da segunda metade do século XIX, e assim, nada menos surpreendente que lançasse mão de alguns elementos do folhetim, como o melodrama, para afirmar-se como grande meio de comunicação naquela cultura de massa nascente. Atualmente não se pode falar de apenas um cinema, como também não se deve homogeneizar o que Barbero (2009) chama de massa. Assim, hoje em dia, muitas histórias mostradas por cineastas fogem desse cunho melodramático, trazendo discussões a respeito de sua própria mídia e de seu narrar. O cinema ainda é um magnífico contador de histórias, que harmoniza aspectos da cultura popular e da cultura de massa, num processo contínuo de reflexão e renovação, tanto tecnológica quanto estética, que vem ocorrendo também na literatura. Existindo em paralelo no interior do universo cultural colorido e cambiante do cinema, o texto literário vem sofrendo transformações sensíveis, em diálogo com ele, cujas marcas estão evidentes em sua própria tessitura (Pellegrini, 2003). É perceptível uma conexão entre textos ficcionais verbais e aspectos da linguagem visual no que dizem respeito aos elementos da narrativa como