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MATÉRIA-PRIMA 2

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288 Paim, Ivana Soares (2013) “Era uma vez e para sempre: a narrativa no ensino de artes e literatura.”

espaço geográfico. Burke (2010) e Barbero (2009) atentam para o perigo de tomar vagamente e de forma muito generalizada os conceitos de cultura popular, cultura erudita e cultura de massa; isto porque demonstram que pessoas de diferentes classes sociais compartilham bens simbólicos comuns em diferentes momentos. Afirmam que há nas sociedades uma cultura dominante, ligada às classes detentoras do poder e diversas unidades de culturas, chamadas de subculturas, que se caracterizam por indivíduos que compartilham certos gostos e valores. Bourdieu (ap. Miceli, 1974: 23), afirma que cultura popular é uma cultura própria das classes trabalhadoras, seja no campo ou nas cidades, cujos produtos se caracterizam pela coletividade e anonimato, pela predominância do discurso oral em sua transmissão, e por sua vinculação a um local, enquanto a cultura erudita valoriza a autoria de seus “bens simbólicos” e tende a ser transmitida pela palavra escrita, ligada às classes que detém o poder político e econômico. Para Barbero (2009), a chamada cultura de massa é aquela que descreve o novo modo de existência da cultura popular, após a revolução industrial e o aparecimento da indústria cultural, que tenta encobrir as diferenças de classe, “deformando ao mesmo tempo sinais de identidade da antiga cultura popular e integrando ao mercado as novas demandas das massas” (Barbero, 2009: 175). É importante ressaltar que os indivíduos que compõem uma mesma subcultura participam de muitas outras, e vão assim intercambiando informações e ficções, transformando-as e readaptando-as às novas realidades, muitas vezes criadas pelos meios de comunicação. Um exemplo disso é o filme “Hard Candy”, de David Slade, traduzido para português como “Menina má.com”, que é na verdade uma reinterpretação da história de Chapeuzinho Vermelho, onde o papel de lobo mau e menina vitimada se invertem. A antiga narrativa de Chapeuzinho Vermelho é repensada e recontextualizada para os tempos da internet e da sociedade contemporânea, onde pedófilos se aproveitam da inocência de meninas, aliciando-as em redes sociais. É possível identificar nesse filme uma ficção que teve origem no repertório da cultura popular e foi apropriada pela indústria cultural tendo como meio e linguagem o cinema. Slade, diretor do filme, viu a internet como a floresta dos contos de fada, símbolo da vida, com seus encantos e perigos. Levou em consideração um dado real, a postura ousada de algumas meninas japonesas, que ao invés de ficar em casa, tremendo de medo, foram à caça de seus lobos, ou pedófilos, armando-lhes ciladas, antes que pudessem ser atacadas; reação que denota ansiedade e angústia, dessa geração que cresceu ouvindo notícias sensacionalistas na TV, e que também exige da mulher um papel mais participativo. A era das mídias digitais atualiza a história de Chapeuzinho Vermelho, narrada


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