28 Schlichta, Consuelo Alcioni Borba Duarte (2013) “Livro didático nas aulas de arte: problema ou solução?”
é possibilitar ao aluno o acesso e o domínio dos conhecimentos artísticos necessários à leitura não só da imagem ou da aparência da realidade, mas da sua matriz política, do seu modelo econômico, educacional; das representações de homem, mulher, criança; do vocabulário corrente, dos erros de perspectiva, dos pontos de vista, etc. De que maneira, então, o livro didático participa da tarefa de formação dos sentidos necessários, possibilita a posse das representações? Os conteúdos abordados no livro possibilitam aos alunos compreenderem o que dá a um objeto estatuto de arte? Além disso, nessa reflexão, ao chamar a atenção para o livro didático, também se tentou jogar luz sobre a sua principal finalidade: contribuir para o acesso e domínio dos conteúdos, diga-se de passagem, principalmente para os alunos oriundos das camadas populares, marginalizadas, que não podem abrir mão da escola como lugar de acesso ao conhecimento elaborado. Conclusão
A indefinição sobre as finalidades da arte na escola pode levar a outros desvios: por exemplo, à visão equivocada de que a apropriação dos saberes culturais e artísticos se dá espontaneamente. Assim, justifica-se o desconhecimento, terminando-se por legitimar ou aceitar as diferenças sociais como naturais. Em face dos desafios postos, o livro didático nas aulas de arte, então, é um problema ou uma solução? Ora, ainda que evidencie limites, se abordar os conteúdos que têm poder explicativo da finalidade da arte na vida humana e social, pode sim contribuir para a posse dos conhecimentos artísticos e culturais que desvelem os porquês das representações; dando visibilidade aos valores que consagram. Se possibilitar o acesso aos conteúdos indispensáveis à elevação do nível de sensibilidade do aluno, o livro didático pode sim ser um instrumento de exame do imaginário, das visões ou versões que contém, pode sim contribuir para a produção de novos significados que enriqueçam as interpretações já produzidas (Schlichta, 2009: 53). Trata-se, enfim, de pensar o livro didático, sobretudo como objeto de estudo e fonte de pesquisa dos educadores em arte. No entanto, sem esquecer que carece de maior análise, cabe fazer a crítica à subordinação do educador ao livro didático, quando o toma apenas como manual ou guia a seguir a risca. Esquece-se que não pode ser a única fonte do processo ensino-aprendizagem. Concluindo, o livro didático deve primar pela reflexão, ser um instrumento aberto à iniciativa do professor, sem a dissociação conteúdo versus metodologia. E, como construção histórica, contribuir para a emancipação tanto do educador quanto do aluno.