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MATÉRIA-PRIMA 2

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Vítimas, discriminados, injustiçados, marginalizados, marginais, violentados, violentos, ignorantes, ignorados, pobres, explorados, abandonados, excluídos, serviçais, incultos, ingratos, descontrolados, impertinentes, lascivos, domesticáveis, animalizados, alcoolizados, recalcados, preguiçosos, burros, feios, carnavalizados, analfabetos, brutos, primitivos, sujos... Seria cansativa a tarefa de elencar os inúmeros estereótipos imagéticos que identificam os indivíduos fenotipicamente considerados “negros” ou “afro-descendentes” no Brasil. As várias formas de discriminação, de todos os tipos, ancoram-se na assertividade, na repetitividade e no acriticismo deste tipo de fala arrogante que se julga apta a dizer, economizando palavras, o que o “outro” é. Sua eficácia reside, justamente, nessa economia e nessa repetitividade que tendem, até mesmo, a promover a subjetivação desses atributos por parte daqueles aos quais se dirigem (Albuquerque, apud Silva, 2002).

O espírito da Lei pode ser considerado salutar. Segundo Munanga (2013) “principalmente pelo fato de ensinar aos brasileiros a história dos negros, começando com a história da África, para saírem da visão eurocêntrica da História do Brasil. Porém, tem problemas para o seu pleno funcionamento, porque tem resistência. É necessária a formação continuada dos educadores e professores, que foram formados por uma sociedade racista. Além de formar educadores, é preciso também editar novos livros didáticos de debates, reflexões, divorciados na historiografia oficial. Os livros são repletos de preconceito.” Ele expõe de forma bem clara as questões que considera relevantes no não cumprimento da Lei. Refere-se não somente a falta de formação docente, mas também a falta de material didático disponível. E, é neste sentido que o Grupo DEA (Design, Escola e Arte) encampa na aplicação da lei, pois leva às escolas não apenas ideias de como abordar a lei, como material didático e indicações de outros materiais, colaborando com os dois aspectos mencionados por Munanga. O Projeto de Extensão Universitária “Grupo Design Escola e Arte” pertence à Universidade Federal de Pelotas (UFPel — Brasil) e é composto por cinco professoras, contemplando nível superior, médio e fundamental e por dezasseis universitários, oriundos dos cursos: Artes Visuais, Design Gráfico, Design Digital, Direito, Geografia, Engenharia de Materiais, Ciências Sociais e Tecnologia em Geoprocessamento. Um dos projetos desenvolvidos pelo grupo é

269 Revista Matéria-Prima, Práticas Artísticas no Ensino Básico e Secundário. ISSN 2182-9756, e-ISSN 2182-9829. Vol. 1 (2): 267-278.

e buscar uma boa colocação na sociedade. Sendo a Escola, uma instituição que tem como dever proporcionar ao aluno esta interação, a valorização do aluno e a descoberta de suas potencialidades, nesta situação não cumpre o seu papel. Os estereótipos dados ao negro brasileiro proporcionam consequências ainda piores no ambiente escolar. Albuquerque Jr. em sua narrativa possibilita a percepção deste fenômeno sociológico:


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