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MATÉRIA-PRIMA 2

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26 Schlichta, Consuelo Alcioni Borba Duarte (2013) “Livro didático nas aulas de arte: problema ou solução?”

realiza as tarefas propostas. É comum ainda uma apresentação dos conteúdos partindo-se de definições, atividades, muitas vezes, fechadas e auto-suficientes. Evidentemente, os materiais curriculares não se restringem ao material do aluno, mas a todo e qualquer material também do professor e que o ajude a dar conta do planejamento, da avaliação curricular e das problemáticas que se colocam no âmbito da sua práxis. Em princípio, embora se concorde que todo tipo de material presente no processo de planejamento, desenvolvimento e avaliação do currículo constitui um meio ou um recurso; aqui se trata apenas do livro didático que, historicamente, divide-se em livro do aluno e do professor. No caso do professor, com raras exceções, o livro é o mesmo do aluno, porém com as famosas respostas. Aprofundando um pouco mais, cabe lembrar que os materiais didáticos — assim como as concepções de conhecimento, aluno e professor — não são inocentes; e, historicamente, funcionaram como um filtro de seleção daqueles conteúdos que coincidem com os interesses das classes dominantes. De fato, não se pode ignorar o papel conformador do livro didático; mas, sem cair em generalizações demasiadamente amplas, superficiais, a questão central é compreender melhor seu poder formador ou sua finalidade no ensino-aprendizagem da arte e a sua relevância (se há), na formação dos sentidos humanos, em especial da sensibilidade estética. Afinal, se a meta é tornar cada aluno apto à apreciação das obras de arte é óbvio que a formação dos sentidos, como via de familiarização, exige um exercício contínuo e sistemático de apreciação da produção cultural que inclui, entretanto não se restringe às obras de arte. Nesse caso, cabe perguntar: as atividades artísticas propostas nos livros didáticos contribuem, no sentido de levar o aluno a conhecer e compreender os diferentes estilos como formas de representação do mundo por meio das linguagens artísticas? Propõem tanto atividades artísticas, como meios de representação da realidade, quanto exercícios de apreciação da produção de diferentes artistas? O que mostram? Ora, não se pode esquecer que uma seleção é sempre uma escolha. Na verdade, muitas vezes, esquece-se que uma pintura, um desenho, uma gravura também são “discursos” que carregam conhecimentos e desconhecimentos ao mesmo tempo. Sob essa óptica, conhecer, longe de ser mera assimilação do repertório de alguém, exige do apreciador um acervo para ver a arte como a expressão de outro sujeito e como uma mensagem a ser compreendida. No entanto, muitas vezes, o saber artístico no livro didático traduz-se em um rol de técnicas, em um receituário de técnicas de desenho, da pintura, do recorte e colagem, da dobradura, não raro de exercícios de coordenação motora, de desenho livre.


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