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MATÉRIA-PRIMA 2

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Que livro chega à escola?

A princípio, cabe registrar que as críticas ao livro didático em arte não são recentes mantendo-se tão forte quanto os elogios. A mais contundente, talvez, dirija-se a ele tomando-o como um instrumento já pensado, o que leva a uma denúncia do seu papel muito mais efetivo na conformação do professor do que na sua formação. Sob essa óptica, é central o questionamento: “livro didático nas aulas de arte não é um absurdo?” Nessa linha de pensamento, os principais críticos do livro didático dividem-se em dois grupos: o primeiro recrimina o tratamento unidirecional do conteúdo, o dogmatismo e a apresentação de conhecimentos como algo acabado e sem possibilidade de questionamento; um currículo aparentemente neutro. Entre as apreciações do segundo grupo inclui-se a crítica a uma atitude passiva por parte do aluno; sem se propor articulações com o contexto do aluno, não se privilegiar uma visão de totalidade ou interdisciplinar; nem mesmo se respeitar o ritmo de aprendizagem de cada aluno; por último, que o livro estimula principalmente aprendizagens de memorização mecânica. Ambos argumentam que a autoria desta ferramenta é quase sempre do especialista; que nem sempre sabe fazer a conversão do saber científico em saber escolar e desconhece os aspectos sociológicos, psicológicos e lógicos da organização do conteúdo do ensino (Saviani, 2003: 146). Vale lembrar que o livro didático ainda hoje é entendido como um manual com um determinado número de páginas, nas quais o autor sistematiza os conteúdos de um campo de conhecimento para um ano ou período escolar específico; quase sempre, distribuídos em unidades temáticas. Além disso, geralmente é pensado para um professor, assim como para um aluno que, mediante a leitura,

25 Revista Matéria-Prima, Práticas Artísticas no Ensino Básico e Secundário. ISSN 2182-9756, e-ISSN 2182-9829. Vol. 1 (2): 24-29.

da produção artística; mas, sobretudo de produção de novos sentidos sobre a Cultura e a Arte fundamentados na história humana e social? Trata-se, aqui, de uma tentativa de refletir criticamente sobre o que chega a escola, sobre os pressupostos teóricos e metodológicos implícitos ao livro didático, avaliar as escolhas de forma e de conteúdo que o manual comporta; repensar a contribuição da educação em arte na formação dos sentidos necessários à leitura e à interpretação do significado dos objetos, inclusive os artísticos. Problematizar: o livro didático intensifica a formação dos sentidos, multiplica as necessidades de satisfação humana, torna possível a partilha do sensível? Quais suas intenções, saberes e caminhos teóricos e metodológicos? O intuito é fazer avançar o debate; pois, em tempos de indefinição, em que tudo parece explicado, é fundamental que se indague: que livro chega à escola? Quais os tipos de materiais didáticos? Por que e para que materiais didáticos?


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