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MATÉRIA-PRIMA 2

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234 Senna, Nádia da Cruz (2013) “Experimentações com desenho no ensino básico.”

resultado de uma perceção ativa, que demanda o corpo por inteiro (saberes, sentidos, emoções, valores). Os educandos são convidados a experimentar superfícies variadas (muros, madeiras, areia, papéis coloridos, dobrados, reaproveitados, transparências); posturas (desenhar de pé, agachado, deitado, sentado, com os olhos vendados, caminhando); utilizando materiais e instrumentos diversos (carvão, pincel e tinta, lápis e canetas, linhas e barbantes, varetas, pedras, giz, tecidos e tesoura, estilete, fotografia, computador, retroprojetor). As proposições servem para expandir o repertório gráfico dos alunos, desenvolver habilidades motoras, vencer bloqueios e oportunizar a auto-expressão. Concentramos a atenção na dinâmica dos seus corpos, pois como salienta Derdik (2010), ele é um elemento vivo para a experimentação gráfica. O corpo se comunica e se expressa por meio dos sentidos e é por meio do corpo inteiro que a criança sente a pulsação da vida que a cerca. Seja pelo prazer dos cheiros, o contato com as texturas, a mistura dos sabores, a harmonia dos sons ou a beleza das cores. A criança quando estimulada, pode ficar afinada com as complexas relações sensíveis que são inerentes a existência humana, tanto no campo natural quanto sociocultural. Duarte Junior constrói um percurso que aponta para uma educação do corpo e dos sentimentos, afirmando que educar significa estimulá-los a se expressarem, a vibrarem frente a símbolos que lhes sejam significativos. Conhecer as próprias emoções e ver nelas os fundamentos de nosso próprio “eu” é a tarefa básica que toda escola deveria propor se elas não estivessem voltadas somente para a preparação de mão-de-obra para a sociedade industrial (Duarte JR, 1988: 66).

Nas ações propostas o corpo é convidado a desenhar, por meio de movimentos e gestos, que expressam sensações e sentimentos ao interagir com o meio. Elencamos exercícios voltados para a perceção do desenho que o corpo inscreve no espaço, uso de sombras, lanternas, registro de pegadas, desenhos resultantes do riscar, do jogar, do lixar, cortar, entre outras ações. As aulas exigem mobilidade, tanto dentro quanto fora da sala de aula, isso nos obriga ao rearranjo constante do espaço escolar. Essa possibilidade de organizar a sala de jeitos diferentes e convocar expressões outras que não o trabalho repetitivo, baseado no confinamento e na disciplina dos corpos, próprias do currículo escolar tradicional, impregna as aulas de arte com uma liberdade que chega a ser transgressora, diante da rigidez cotidiana. Propomos exercícios onde o desenho seja resultado da física do próprio corpo: medidas, movimento, pressão, peso, velocidade. Aqui, o que importa é a diversidade de soluções encontradas e a capacidade para traduzir graficamente o conhecimento. “No desenho, o gesto contém uma verdade, o toque é o contato


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