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MATÉRIA-PRIMA 2

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232 Senna, Nádia da Cruz (2013) “Experimentações com desenho no ensino básico.”

Figura 2. Produção textual e imagética a partir de Manoel de Barros. Fonte: própria.

eram tímidas, reticentes às vezes; na medida em que o curso avançava, o “grande livro do conhecimento” se constituía gestado por eles próprios. O objeto concreto foi construído artesanalmente, fraternamente (tal qual o primeiro livro do poeta) a partir da encadernação da produção artística e textual do grupo. Esse “livro” dava visibilidade da participação de cada um na sua feitura, o que originou grande satisfação e orgulho pessoal. Também foi instigante a ponto de motivar o grupo para empreender novas pesquisas, propor temas e atividades de seu interesse. A interlocução das artes visuais com a literatura de Manoel de Barros transformou a sala de aula em um ateliê de criação e experimentação poética, compreendendo a produção textual e imagética (figura 2). Essa oficina de fantasia e magia proporcionou prazer e encantamento para todos os envolvidos, “obrigatório” era soltar a imaginação e voar com os despropósitos de Barros. Buscamos a inventividade, enchemos os olhos com as imagens narradas, e os ouvidos, com a sonoridade dos silêncios. Inventamos significados, procuramos pela pureza das palavras e das coisas, e ainda, como se constrói uma “despalavra”, livre das contaminações do vocabulário. Reconstruímos ditados populares, plenos de humor e nonsense. Privilegiamos o exercício da narrativa a partir do coletivo, da oralidade, do refinamento dos sentidos da escuta e do ver. Atualmente investimos no desenho do corpo e no desenhar com o corpo todo (figura 3), abrimos espaço para os jogos teatrais, o desenho individual e em grupo, o desenho do gesto e de personagens com vistas a ampliar a autoestima e ultrapassar estereótipos e discriminações em torno de modelos de beleza


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