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MATÉRIA-PRIMA 2

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186 Ornelas, Marta Sobral Antunes (2013) “Da sala de aula para o museu: desigualdade e desencontro nas visitas escolares a museus de arte contemporânea.”

que já estão previamente determinadas: numa visita escolar a um museu, a educadora que conduz a turma pela exposição, pergunta se sabem o que é o minimalismo. Uma aluna diz “é feio.” A educadora ri-se e explica que o minimalismo é quando o supérfluo sai. A subjetividade da aluna que falou foi anulada. Numa outra visita escolar, a educadora pede à turma que explique como compreende uma determinada obra. Cada uma / um dá a sua explicação sobre o que entende que significa a obra, por vezes com dúvidas se estarão corretas/os ou não. A educadora ouve e no fim diz: “Então eu vou-vos dar aqui a perspetiva do artista. Grande parte de vocês está muito perto da ideia que o artista queria transmitir.” Assim, as subjetividades, os micro-relatos criados pelas / os alunas / os acabam por não servir para nada. Quando as/os estudantes acenam com a cabeça porque “compreendem,” mesmo que depois discordem, estão a reproduzir o discurso direcionado (Ellsworth, 2005), através de uma prática muito escolar: a educadora fala e as/os alunas/os e as professoras ouvem, de preferência, em silêncio, respondendo apenas quando se lhes pergunta algo (Figura 2). Conclusões

Para que se altere esta realidade de relação desencontrada e desigual entre a escola e o museu, o desafio seria, em primeiro lugar, o de tornar esta relação entre escola e museu mais igualitária. Que desejável seria assistirmos à descida do museu do seu pedestal para encarar a escola como um lugar de aprendizagem tão válido quanto aquele. Partindo de uma posição igualitária poderíamos passar a um trabalho conjunto para desmontar a relação de poder que existe, tanto num como no outro contexto, entre os que ensinam e os que aprendem, criando espaços para que todas/os possam ter uma voz ativa de forma democrática, aceitando a subjetividade de todas/os os intervenientes, que passam a ser visíveis. É a necessária passagem do macro-relato para o micro-relato (Acaso, 2012). Algumas das professoras inquiridas durante o estudo elaborado para o projeto ITEMS sugeriram que tanto a escola como o museu poderiam ter uma pessoa responsável por fazer a articulação entre as duas instituições e que isso facilitaria o processo (Ornelas, 2012), mas é importante que, tanto a escola como o museu, tenham como meta pedagógica o pensamento crítico e para isso é necessário que todas as ações que levem a cabo tenham repercussões na vida real dos/as participantes da ação educativa (Acaso, 2009). A Escola, voltada para os currículos e para as exigências de cumprimento dos programas escolares, é, para muitas/os alunas/os um local de aborrecimento onde não existe prazer e poucas vezes consegue relacionar-se com o exterior de modo a implicar as/os estudantes no desenvolvimento de projetos que lhes interessem. É esta realidade que tem de mudar. Os projetos conjuntos entre escola e museu, partindo de


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