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pré-escolar são repreendidos/as pelo barulho das suas conversas: “O que é isto? Querem ficar de castigo?,” diz a professora. Acatam e nem ousam tocar na obra Penetrável de Helio Oiticica, observando-a de relance apenas, contrariamente à intenção do artista. Nas visitas guiadas nunca são as/os visitantes que escolhem o percurso: “a entrada é por aquele lado,” explica-me uma vigilante estendendo o braço para o local onde o comissário determinou ser o início da exposição. O mesmo comissário escreveu os textos da exposição contendo inúmeras referências a movimentos artísticos da História da Arte e um vocabulário sofisticado, incompreensível para, creio, a maioria dos/as visitantes a quem resta a contemplação das obras, crendo no que está exposto e situando-se nos mesmos valores e conhecimento do comissário, sem lugar à subjetividade, como um poderoso veículo para definir a posição relativa que ocupam os indivíduos dentro da sua comunidade (Duncan, 1995). Um aluno comenta, já na escola, depois da visita: “Aquilo é para pessoas mais velhas.” “Porquê?,” pergunto. “Não me considero burro, mas os adultos entendem melhor.” O museu constrói um discurso expositivo no qual as/os alunas/os e, muitas vezes também as professoras, não se reveem, pois mostram-lhes fragmentos da história que elas/es não conhecem, numa conceção modernista da educação artística (Padró, 2009). As visitas guiadas não são de todo dialógicas. Parece haver uma tentativa, por parte das educadoras de museus, de criar um diálogo com as / os alunas / os com lugar à subjetividade, mas o objetivo final é o de os fazer levar a respostas
Revista Matéria-Prima, Práticas Artísticas no Ensino Básico e Secundário. ISSN 2182-9756, e-ISSN 2182-9829. Vol. 1 (2): 179-188.
Figura 2. Visita escolar ao Museu Coleção Berardo: a educadora museal dá uma explicação sobre a obra de arte às/aos alunas/os, enquanto estas/es e a professora permanecem em silêncio. (2013). Fonte: própria.