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MATÉRIA-PRIMA 2

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184 Ornelas, Marta Sobral Antunes (2013) “Da sala de aula para o museu: desigualdade e desencontro nas visitas escolares a museus de arte contemporânea.”

lembradas como tal pelo museu, sendo comum nos discursos das educadoras de museus durante as visitas recorrerem a expressões como “a intenção deste artista” e, mais adiante, “a vossa professora já vos deve ter explicado...,” na ideia de que a professora é a que ensina e o artista é o que tem direito a estar no museu. Aliás, até mesmo a escola contribui para acabar com a artista que há em cada professora que o fora antes de ser professora, dando a entender que não se pode ser as duas coisas ao mesmo tempo, como ilustra a frase que pode ler-se num relatório conjunto do Ministério da Educação e do Ministério da Cultura, quando ainda eram organismos separados: Em Portugal, não há notícia de ter havido (...) presença de artistas no meio escolar, apesar de terem existido ou ainda subsistirem experiências pontuais (...) a presença do professor na escola é indispensável, a do artista, não é (Xavier, 2004).

Desta forma, reserva-se o lugar de artista (maioritariamente homens) para o que expõe no Museu, e o lugar de professora (maioritariamente mulheres) para a que ensina na Escola. Por outro lado, nas visitas chamadas “de estudo” a museus, a escola arrasta consigo, muitas vezes, exigências demasiado centradas nos regimes de avaliação das/os alunas/os. As professoras, quando levam as suas turmas a museus, não raramente lhes pedem que façam um trabalho de pesquisa ou que preencham uma ficha, em casa ou até mesmo no local da visita que “conta para nota.” Estas estratégias estão muitas vezes desligadas da construção de conhecimento e muito mais se identificam com o controlo da disciplina comportamental: “Se eu não lhes der nada para fazer, não tomam atenção nenhuma à visita,” comenta uma professora. É neste sentido que as / os alunas / os tendem a considerar a visita como uma extensão da escola. O museu tem o poder de proporcionar um olhar sobre o mundo que rodeia as/os estudantes, mas nem sempre está vocacionado para mais do que explicar a história da arte ou o processo criativo do artista, sempre com muitas regras explicadas antes do início da visita: “não se pode tocar,” “não se pode tirar fotografias com flash” ou “pode-se fotografar mas não se pode apanhar as obras,” “não se pode falar alto,” “não se pode transportar mochilas,” “não se pode comer,” “garrafas de água não podem entrar,” “não se pode ouvir phones,” “não se pode aproximar demasiado das obras.” Ainda antes de iniciarmos a visita, o Museu é já um lugar onde “não se pode,” um lugar de proibições que espera de nós, visitantes, um comportamento-tipo, a representação do visitante ideal (Padró, 2011). O controlo da disciplina vai sendo lembrado de vez em quando com “Chiu!,” por parte das professoras. Um grupo de meninas / os do


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