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MATÉRIA-PRIMA 2

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Por mais neutral que seja um museu, um educador, um folheto, um website qualquer que seja, sempre se transmitirá algo. Até o famoso CUBO BRANCO que todos os museus têm incorporado como sistema de decoração aparentemente neutra, acabou convertendo-se num conceito de classe vinculado a uma classe alta cultural... (Acaso, 2011)

Noutro registo de relação desigual entre estas duas instituições, é comum assistirmos a conferências, seminários e ações de formação sobre a temática museus e educação onde profissionais de museus falam para uma assistência composta por profissionais de museus e, muitas vezes sobretudo, para professoras, enquanto o contrário não se verifica: o museu fala, a escola escuta. Raramente estes eventos deixam tempos para debates, marcando uma posição de que apenas umas podem aprender com as outras e nunca o contrário. São exemplos: o encontro “Oberv@rte,” no Museu de Arte Antiga, em Março de 2013, o seminário “Museus, Educação e Cultura Científica,” na Universidade de Évora, em Novembro de 2012, ou o seminário “Serviços Educativos em Portugal” no Museu de Arte Antiga em Fevereiro de 2011. Muitas das professoras de Artes Visuais são artistas, mas nunca são

183 Revista Matéria-Prima, Práticas Artísticas no Ensino Básico e Secundário. ISSN 2182-9756, e-ISSN 2182-9829. Vol. 1 (2): 179-188.

exemplo em Espanha (Garaigorta, 2012; Hernández, 2013). Em Portugal, o museu mostra a sua casa, mas não parece ter interesse em conhecer a casa de quem o visita, porque também a escola crê que nada terá para lhe ensinar. Uma das responsáveis pelo Programa de Educação Estética e Artística criado pelo então Ministério da Educação, programa que visava a formação de professoras, descreve: “O museu serve para elevar o conhecimento das crianças. (...) Queremos autonomia para que os professores possam ir sozinhos com os alunos ao museu” (Marques, 2012), assumindo que as professoras não são capazes de ir sozinhas com as suas turmas aos museus sem serem primeiro “elevadas” até um nível de conhecimento que seja digno de tal tarefa. O conhecimento de que as professoras possam ser detentoras é anulado porque não é reconhecido como verdade. O mito da verdade universal e absoluta é desmontado pelas práticas pós-modernistas, assumindo que não há nada que seja verdadeiro no sentido estrito da palavra porque os critérios com que decidimos o que é verdadeiro ou falso depende de nós (Ibañez, 2001). Os micro-relatos das professoras deviam ser tidos em conta nestes processos precisamente pela mesma razão pela qual são excluídos: a subjetividade que lhes é inerente. Será mais producente que o museu eduque a partir dos micro-relatos, as experiências pessoais, subjectivas, atravessando os formatos que se pretendem eruditos (Padró, apud Juanola, 2010). No entanto, o museu adopta um tipo de discurso resolvido, direcionado, que exclui os restantes:


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