182 Ornelas, Marta Sobral Antunes (2013) “Da sala de aula para o museu: desigualdade e desencontro nas visitas escolares a museus de arte contemporânea.”
Também algumas referências bibliográficas sobre este tema vão no sentido do desencontro entre estas duas instituições. Leite e Vitorino estão em crer que a diferença entre a aprendizagem no museu e na escola reside no facto de, ao contrário da escola, no museu os temas abordados estão “intimamente ligados à vida e à sociedade contemporâneas” (Leite & Victorino, 2008: 13). Esta afirmação pode causar estranheza no meio escolar, já que as escolas se encontram sensibilizadas, através do que se encontra definido no currículo nacional, para utilizarem metodologias de trabalho que pressuponham uma ligação à comunidade em que se inserem: (...) [abordando temas] relevantes, atuais e orientados por uma visão de escola aberta ao património artístico e natural, sempre que possível partindo da relação com o meio envolvente, de propostas dos alunos ou da abordagem ao universo das artes visuais em Portugal (DEB, 2001: 161).
Se os temas abordados pelo museu vão ao encontro do que se passa na vida e da sociedade contemporâneas, é caso para perguntar porque é que algumas/uns alunas/os encontram momentos de aborrecimento nas visitas? (Moutinho & Ferreira, 2007; Oliveira, 2009; Triggs & Wishart, 2010). Por sua vez, as professoras também apresentam ideias pré-concebidas e expectativas sobre o funcionamento dos museus: “espera-se que os mediadores culturais saibam que não será apenas pela fruição, ou pela contemplação desinteressada ou ainda pela apreciação de obras de artes visuais que atingiremos nossas metas.” (Eça, 2010). E se muitas professoras entram em contacto com os museus para que estes lhes preparem visitas e atividades específicas relacionadas com o currículo escolar, devem ter em conta que, de acordo com a perspectiva das educadoras, “o professor que leva os alunos ao museu para uma visita orientada ou outro tipo de atividade, não a deve considerar como uma extensão da aula, mas sim uma atividade na qual se pretende uma forma diferente de olhar a arte, de estar e participar na sociedade” (Oliveira, 2010: 198), pois os museus também têm um programa e objetivos a cumprir, que não são os mesmos das escolas. 2. Desigualdade
Uma relação justa entre duas partes − escola e museu − pressupõe que ambas estejam em igualdade, o que não acontece em Portugal: regra geral, à excepção de projetos pontuais, a escola vai ao museu, mas o museu não vai à escola. Por isso, a relação entre estas duas instituições é uma relação de poder desnivelada e, portanto, desigual, embora noutros países seja possível encontrar projetos nos quais as deslocações dos museus às escolas são comuns, como por