180 Ornelas, Marta Sobral Antunes (2013) “Da sala de aula para o museu: desigualdade e desencontro nas visitas escolares a museus de arte contemporânea.”
específicos de cada turma. Tendo em conta os objetivos propostos pela escola quando planeia visitas a museus, a relação entre estas duas instituições deveria ser empática e eficaz. Mas será que os discursos dos museus estão adaptados às escolas? Será que as escolas têm uma atitude compatível com a que os museus esperam? Porque é que muitas/os alunas/os acham as visitas aborrecidas? Alguns contributos para possíveis respostas a estas questões podem ser encontrados num estudo realizado no âmbito do projecto europeu ITEMS (Innovative Teaching for European Museum Strategies), que tentou compreender como se relacionam escolas e museus. O resultado deste estudo, apresentado em Serralves, em Outubro de 2012 no seminário “Atravessar Pontes entre Escolas e Museus,” fornece indicadores de que nem sempre os discursos dos museus vão ao encontro das necessidades das escolas, bem como nem sempre as atitudes das escolas são compatíveis com o desenvolvimento de um trabalho producente por parte dos museus (Eça & Ornelas, 2011). Regra geral, os museus tipificam os seus públicos e constroem ideias sobre os comportamentos das professoras e das turmas (Figura 1), que, idealmente, “devem acreditar no que o museu expõe, posicionando-se a partir dos mesmos valores, conhecimentos e expectativas de quem organiza a exposição” (Padró, 2009: 41). Por outro lado, as professoras consideram, muitas vezes, numa visão muito fechada, que o Museu é uma extensão da aula, onde o alunado deve adquirir determinados conhecimentos e, assim, acabam por utilizar o Museu como
Figura 1. Atividade na Casa das Histórias Paula Rego proposta pela educadora museal, na qual as/os alunas/os do 8º ano foram solicitadas/os a colorir um desenho fotocopiado. (2013). Fonte: própria.