177 Revista Matéria-Prima, Práticas Artísticas no Ensino Básico e Secundário. ISSN 2182-9756, e-ISSN 2182-9829. Vol. 1 (2): 171-178.
Nas atividades descritas, a linguagem plástica e a comunicação visual, pedras fundamentais da experiência artística, facilitaram a experimentação de materiais tendo em vista a expressão de uma ideia e determinaram a experiência de concentração absoluta, envolvendo totalmente os participantes na atividade. Fluir e fruir das tarefas propostas promoveu a conceptualização e convocou as competências necessárias para a sua realização dando também oportunidade de poder voltar atrás e reconhecer a atenção. Este processo de constante fruição enriqueceu a reflexão acerca da tarefa, conduzindo à descentração por parte do participantes. No entanto, os facilitadores das atividades também se envolveu num processo de descentração de forma a aproximar os participantes da atividade e proporcionar-lhes uma experiência de novidade e de suporte. O objetivo de ambas as atividades foi o de experimentar a sensação de grande envolvimento e de grande prazer. O processo de desenvolvimento da literacia crítica ocorre quando se aprende através de resolução de problemas, construção de significado e partilha de ideias com base em processos de análise, avaliação e inferência (e.g. Dauite, 2000). No caso concreto foram propostos problemas concretos que permitiram os participantes experimentar materiais. Ambas as experiências possibilitaram a aprendizagem através da experimentação activa dos materiais proporcionando oportunidade de resolver problemas não antecipados e construir significados à medida que se encontravam novos desafios. Em ambas as situações foi possível através da acção e da interacção codificar e descodificar linguagens e imagens e também interiorizar conceitos (Figueiredo, 1994). A concepção das actividades procurou que os participantes produzissem ideias e pensamentos originais (Jonassen, 1996), e aplicassem processos associados à intuição, imaginação, criatividade ao procurarem compreender e interpretar a realidade circundante (e.g. Litecky, 1992). As experiências acima descritas permitiram o desenvolvimento da humildade face ao conhecimento mas também da coragem em arriscar, da empatia pelos ganhos, da perseverança e ainda a crença na razão, todas elas características do pensamento crítico segundo Boisvert (1999). De acordo com Astleitner (2002) a literacia crítica é a competência mais importante na gestão do conhecimento por isso, todas as experiências em contextos de educação não formal, e também idealmente, em contexto escolar devem procurar promover sempre que possível oportunidades para exercitar o pensamento crítico e criativo. Em última análise, este tipo de intervenção não é uma experiência artística especifica mas antes uma experiência de vida que conduz a uma literacia critica. É dada oportunidade de experimentação de uma sensação de concentração e de envolvimento total numa atividade que permite ao participante expressar-se através da emoção estática.