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MATÉRIA-PRIMA 2

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Bahia, Sara & Trindade, José Pedro (2013) “Arte como desenvolvimento da literacia crítica.”

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Actividade 2

Um professor de artes visuais propôs aos seus alunos do 8º e 10º ano de escolaridade uma experiência artística num espaço próximo da sua escola: uma antiga azenha recentemente recuperada. Doze adolescentes com idades entre os 13 e os 17 anos aceitaram o repto e juntaram-se ao longo de 4 sessões de 3 horas num horário pós-escolar. Partindo do princípio que todos os participantes tinham familiaridade com os materiais, o objetivo foi o de proporcionar uma experiência de observação, percepção e expressão das emoções e sentimentos experimentados. Cada participante recebeu barro, tronco de videira seco, ráfia e carvão vegetal. Foi-lhes sugerido que experimentassem os materiais individualmente, através do toque, do cheiro, da audição na manipulação, resistência e da verbalização das memórias associadas aos materiais. De seguida, pediu-se que parassem por instantes e procurassem associar através da observação uma ou mais ideias aos materiais alterados pela manipulação. Os participantes partilharam as ideias entre si resultando num clima de aceitação e de espontaneidade. Aproveitando o clima de entusiasmo, de envolvimento e a atenção o artista / professor pediu que seleccionassem a ideia mais motivadora e através dela, interviesse acrescentando, retirando ou misturando os materiais necessários para aumentar o significado da intenção inicial. Num eminente estado de concentração e fruição, todos iniciaram a transformação do objeto determinados pela certeza das suas intenções. Matéria e pessoas misturaram-se sem se perceber os limites de cada um. Sem que lhes fosse ensinada qualquer técnica cada participante explorou os vários materiais de uma forma inovadora e adequada à comunicação do significado que pretendia transmitir. Quando a atividade chegou ao fim, cada participante um explicou os aspetos que considerou mais enriquecedores e quais as dificuldades encontradas. Foi surpreendente a memória que cada um demonstrou ter das várias fases de construção do objeto conceptual, bem como na clareza da explicação dos conceitos expostos. Conclusão

O que se aproxima em ambas as atividades é a metodologia utilizada. A forma como os problemas foram apresentados levaram os participantes a explorarem de forma livre. Ambas as actividades partiram de uma abordagem espontânea a partir das exploração dos materiais e a subsequente descoberta das múltiplas possibilidades de intervenção com esses ou nesses materiais. O conceito de abrigo enquadra o grupo, prepara os participantes a envolverem-se totalmente na atividade. Do mesmo modo, transformar materiais naturais com base na observação de um pormenor possibilita uma concentração no detalhe mas também da forma e no conteúdo, tal como Eisner (2008) preconiza.


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