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MATÉRIA-PRIMA 2

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Revista Matéria-Prima, Práticas Artísticas no Ensino Básico e Secundário. ISSN 2182-9756, e-ISSN 2182-9829. Vol. 1 (2): 171-178.

A primeira situação ocorreu com 20 crianças e jovens com idades compreendidas entre os 5 e os 13 anos com diagnóstico de sobredotação e participantes dos Programas de Enriquecimento das Delegações de Lisboa e de Torres Vedras da Associação Nacional para o Estudo e Intervenção na Sobredotação. Estes programas têm como objectivo proporcionar experiências artísticas dentro dum clima de suporte emocional de forma a ir ao encontro das necessidades únicas destas crianças e jovens (Bahia & Trindade, 2012). As situações apresentadas possibilitam aos participantes o desenvolvimento e a prática de competências emocionais e sociais dos participantes de forma a que possam reconhecer as suas emoções para as poderem controlar (Franco, Beja, Candeias & Pires, 2011). As actividades artísticas têm uma forte componente ambiental e decorrem em contexto cooperativo. O exemplo que se ilustra ocorreu numa antiga escola primária desactivada. Dada a envolvência, as sessões de 4 horas semanais procuram a construção de projectos que incentivam a manipulação e experimentação de construções com materiais disponibilizados pela natureza e desperdiçados pelo homem, como por exemplo canas, paletes de transporte ou tubos de pvc para efeitos de canalização. Partindo da ideia de “abrigo” foi lançado o desafio de construir um espaço que abrigasse um grupo de 3 participantes, e que tivesse em conta o aproveitamento dos recursos naturais como a luz solar e a água das chuvas bem como o espaço necessário para estarem deitados e em pé. De uma forma autónoma, cada grupo procurou as mais variadas soluções e experimentaram a combinação dos materiais. De imediato, descobriram que os tubos colocados ao alto e dentro das paletes serviam como “pilar” para suster outra palete em altura, bem como conduziu o seu interesse para experimentar um “aqueduto” para uma corrida de barcos. Durante as sessões que se seguiram os participantes dedicaram todo o seu tempo a experimentar inclinação dos tubos e um sistema que possibilitasse o reaproveitamento da água e mantivesse um movimento permanente do fluxo. Foram sempre assistidos por 4 monitores presentes a que, recorreram sempre que pretenderam uma opinião. A experimentação ativa de ideias e materiais pareceu ter promovido um clima de criatividade que estimulou a produção de ideias e a flexibilidade de pensamento, ou seja, a expressão criativa, como referem Fleith & Alencar (2006). Os participantes foram críticos e persistentes na produção de hipóteses e organizaram-se de forma cooperativa, resolvendo autonomamente os problemas que o desafio lhes proporcionou. Os monitores presentes verificaram também um maior controle emocional, menos episódios de baixa resistência à frustração e uma melhor integração social.

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Actividade 1


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