135 Revista Matéria-Prima, Práticas Artísticas no Ensino Básico e Secundário. ISSN 2182-9756, e-ISSN 2182-9829. Vol. 1 (2): 128-136.
dificuldade ou complexidade da realização, embora quanto mais simplificadas e diretas forem as tecnologias maior é a eficácia dos objetivos nos aspetos relacionados com a psicologia da consciência, uma vez que tecnologias complicadas, morosas ou perfeccionistas, podem pesar demasiado no prazer de fazer e desviar a atenção sobre a interioridade, sendo mais desestabilizadoras para alunos com dificuldades operativas ou menor motivação. Este tipo de trabalho promove a maturidade e a responsabilidade parecendo-nos que no final do ano letivo os alunos com quem desenvolvemos o retrato cresceram interiormente mais rapidamente do que aqueles cujas unidades trabalhadas foram mais exteriores a si (principalmente ao nível das competências emocionais e afetivas — sociais e cívicas). O empenho para a autoconstrução parece desenvolver-se de uma forma mais clara e menos confusa. É frequente, no final do ano, estes alunos mais novos não terem receio de sonhar com um futuro, com uma profissão não etiquetada (alunos que no inicio do ano queriam ter profissões como futebolistas ou educadores de infância ou que respondiam não saber, no final querem estudar biologia, fazerem uma viagem solitária à volta do mundo ou serem enfermeiros da AMI e cerca de 15 a 20% afirmam desejarem ter um futuro relacionado com atividades criativas ligadas às artes plásticas, o que se tem vindo a confirmar). Ao poderem levar para casa o produto da sua experiência, é como serem acompanhados para além das aulas de um referente para a memória do experienciado e, quando essa memória é a autorrepresentação, transforma-se num marco referencial. Também a família poderá enfatizar essa experiência, mesmo sem dela ter informação dos objetivos psicopedagógicos, mas apenas pela aceitação e partilha da obra realizada. Com as obras de grandes dimensões, como aquelas a que o nosso relato se refere, faltou esta componente, embora largamente equilibrada pela aceitação e espetacularidade da exposição pública à comunidade escolar, mas parca na duração do tempo de convivência com os seus autores, o que talvez não as potencie plenamente como referente mnemónico. É por isso que na maioria deste tipo de práticas se deve terminar com a realização de um pequeno trabalho (uma tela ou um pequeno busto em terracota) que possa ser levado para casa no final do ano letivo, principalmente com alunos de níveis etários mais baixos, entre os 10-14 anos. Ao longo dos anos, nestas situações, contámos dois casos de alunos que não quiseram levar o trabalho para casa, dizendo um que ‘iriam fazer pouco dele’ e o outro porque ‘não o reconheceriam’. Ambos pertenciam a famílias destruturadas e, embora tenham tido êxito na disciplina de Educação Visual, reprovaram a muitas das outras, tendo de repetir esse ano de escolaridade. Todos os restantes