134 Rita, Dora-Iva (2013) “Retrato e Autorretrato em Sala de Aula - Construção da Consciência de Si e do Outro.”
Figura 2. O Nosso Presépio Possível, 2003. Figura 3. Comemorações do 25 de Abril de 2003 na escola.
O facto de as personagens serem de tamanho real e sobretudo serem retratos assumidos, reconhecidos pela comunidade escolar como A, B ou C, transformou uma simples atividade comemorativa num incidente sociológico de grande envergadura. A população escolar mais jovem inquiria os alunos autores das figuras, tiraram-se fotografias, fizeram-se reportagens. Mas o mais inesperado do ponto de vista da psicologia da consciência foi o facto que muitos dos alunos retratados passaram a ter uma atitude diferente face ao que a nossa sociedade conquistou com o 25 de Abril, tornando-se mesmo mais ativos política e socialmente, abertos ao debate de questões sociopolíticas, passando a desenvolver competências cívicas dinâmicas. Conclusão, análise de resultados
Das experiências relatadas e da análise daquilo que pelo retrato se pode revelar, entendemos muito produtivo o trabalho com base no autorretrato e no retrato em unidades didáticas nas disciplinas do ensino artístico básico e secundário. Os alunos aderem com maior empenho e seriedade a um trabalho onde se colocam como protagonistas, encarando-o inicialmente, face a si próprios, como jogo lúdico e acto de afeto — uma brincadeira amorosa consigo próprios. Depois vão percebendo mais e mais sobre eles e aquilo que era apenas um jogo de afetos transforma-se em consciência de si e do outro. E o mais curioso nestas práticas pedagógicas é que essa tomada de consciência de si não está dependente do nível etário mas apenas da componente afetiva e cognitiva experienciada durante as atividades — relembramos que trabalhámos com alunos entre os 11 e os 18 anos, embora o caso relatado tenha sido de uma turma do ensino secundário. Também não é relevante a facilidade,