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MATÉRIA-PRIMA 2

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132 Rita, Dora-Iva (2013) “Retrato e Autorretrato em Sala de Aula - Construção da Consciência de Si e do Outro.”

do ‘ser modelo’, de ser ‘reconhecido’, mas sem os riscos diretos da exibição. O ver-se de fora fomenta a autocrítica que por um lado é indireta porque moderada pela obra, mas também é acentuada pela possibilidade de reflexão e debate, assim como é facilitada a possibilidade de se poderem reformular posturas, gestos, atitudes o que pode ser indicativo de uma abordagem ainda mais profunda da consciência de si. 3.2 Uma passagem de modelos: duas aulas de 180 min.

Depois das figuras erguidas e utilizadas parecia inevitável o destino de serem arrumadas no sótão da escola ou levadas para casa. Mas de imediato houve propostas da comunidade escolar para dar continuidade à sua utilização. Foi pedido pela direção a realização de um presépio, optando-se pela concretização do mesmo através de uma teatralização da cena, tendo como personagens as figuras-retrato dos alunos. Analisando-se o sentido histórico e ontológico do Presépio, a encenação foi concebida refletindo a realidade dos retratados. Vestiram-se as figuras-retratos com roupas dos respetivos alunos, realizou-se na mesma técnica um menino, partindo do molde de um boneco, e encenou-se o nosso ‘Presépio possível’ (Figura 2), acompanhado do seguinte texto: O NOSSO PRESÉPIO POSSÍVEL Um presépio é uma recriação cíclica (anual) da cena do nascimento de Jesus que atravessa a história do mundo cristão desde há cerca de 1000 anos. Através das várias épocas os povos que comemoram este acontecimento reinventam-no conforme a sua cultura, os seus meios e os seus engenhos. Na Idade Média, durante a festa do Natal, como em muitas outras, era o povo que encenava o presépio como sendo uma “cena viva”, com pessoas, animais e meninos de verdade. No Sul de Portugal o presépio é simbolizado por um menino-rei-do-mundo rodeado de laranjas, romãs e cearinhas (sementes de trigo germinadas colocadas num prato com água). Mais a Norte o presépio é composto por muitas mais figurinhas pequenas, tradicionalmente feitas de barro pintado, com pastores e muitos rebanhos, com a vaca e o burro a aquecerem o menino deitado nas palhinhas e sempre sobre muito musgo. No Alentejo o menino é deitado numa almofada ou num berço rodeados de aves e, quando os presépios são mais complexos como os de Estremoz, é acompanhado por bandas de músicos, todos fardados como nas procissões. Estas figuras costumam ser também de barro pintado a frio. Em Portugal, em meados do século XVIII, existiu um escultor chamado Machado de Castro que construiu muitos presépios de terracota (barro cozido sem vidrado) que tentam imitar de forma muito realista e pormenorizada a cena bíblica de há cerca de 2000 anos. Podemos observar um desses presépios aqui muito perto, na capelinha da Senhora do Monte. Como vês há muitas maneiras de encenar um presépio. Este nosso presépio foi realizado com figuras-retrato elaboradas, segundo uma técnica muito simples, pelos alunos do 11º AV na disciplina de Oficina de Expressão Plástica durante o presente ano letivo.


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