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MATÉRIA-PRIMA 1

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Loponte, Luciana Gruppelli (2013) “Experiências partilhadas em educação e arte: conversas entre pesquisas.”

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Docências artistas e conversas entre pesquisas

A nossa conversa entre as pesquisas sugere a ideia de uma docência artista, que atua em processo, a partir de esboços e registros incompletos, em encontros dentro e fora da escola. Docência artista, segundo o que Loponte (2005, 2006) nos provoca a pensar, não como modelo alternativo, prática de boa docência ou como saída para os problemas da educação, mas como exercício de modificação e criação de si mesmo e dos outros. Nesse sentido, características como a transversalidade e o caráter processual e colaborativo da arte contemporânea podem ser instrumentos de formação para a transformação do fazer docente. Ao pensarmos em caráter processual e colaborativo, cabem observações em relação às pesquisas que aqui buscam seus encontros e algumas convergências. Todas têm em comum o fato de contarem com o nosso acompanhamento muito próximo como pesquisadores e de estarmos, de alguma forma, envolvidos nesse trabalho, pois nascem no nosso universo profissional e ganham corpo a partir de questões que vivemos e que buscamos compartilhar e problematizar, buscando o distanciamento necessário para estranhar o que nos parece tão familiar. Assim, interessa-nos não o que já sabemos e sim o não-dito, o erro, o que escapa, a forma como a experiência é narrada e interpretada, como se dá o processo para além dos resultados. Dessa forma, a nossa escrita (o que inclui o presente texto) configura-se como um processo de criação a partir da escrita e da narração de outros. Traçando um paralelo com as observações de Foucault (2010), pensamos que esta escrita — a do fazer do professor e também do pesquisador — é múltipla, construída e destruída para ser permanentemente reconstruída, em um trabalho de autoria coletiva. De forma colaborativa, partilhamos com o leitor nossas indagações a respeito dos desafios que as artes, em especial as artes contemporâneas, podem trazer aos nossos modos mais lineares de pensar a relação entre educação e arte (Loponte, 2012). Que esses desafios compartilhados se multipliquem na leitura.


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