64 Loponte, Luciana Gruppelli (2013) “Experiências partilhadas em educação e arte: conversas entre pesquisas.”
correlacionadas e suas conversas entre si. Tais pesquisas propõem indagar-se sobre modos de abrir espaços para a arte e a criação na docência, assumindo a dimensão estética como algo fundamental na formação docente em qualquer área de conhecimento. Percorrendo as escolas, encontramos situações diversas, que envolvem desde aqueles docentes indiferentes e conformados diante da situação atual, moldando assim as suas práticas, até aqueles que não se deixam capturar pelas mazelas educacionais, buscando brechas de resistência e criação em seu trabalho. O nosso campo de atuação, embora diverso, situa-se no interesse por essas potencialidades e nos desafia a produzir pesquisas que não apenas coletam e analisam dados, mas que criam a partir do campo complexo e tenso da relação entre arte e educação. A inconformidade com um tipo de formação que prescinda de uma dimensão estética contagia essas investigações com uma atitude artista diante do que significa pesquisar em educação. Com suas problemáticas específicas, cada pesquisador busca e reinventa respostas menos óbvias e mais estéticas diante de inquietações pedagógicas cotidianas a partir de três eixos de discussão: formação inicial de professores e as artes visuais, movimentos de formação na escola e aproximações entre arte contemporânea e educação. 1. Formação inicial de professores e as artes visuais
Os estudos sobre a formação inicial de professores, conforme aponta Romanowski (2012), vêm ganhando importante espaço na área de formação de professores. Apresentamos aqui experiências produzidas em espaços de formação inicial de professores, na graduação, em cursos de Pedagogia e Artes Visuais, como também no ensino médio, em um curso de Magistério, que tem a arte e em especial a produção contemporânea em artes visuais como potência para pensar a formação de professores. A pesquisa Marcas, feridas, cicatrizes e a elaboração de um modo de ser docente em artes visuais, em fase de conclusão, tem como objeto de estudo analisar os movimentos de formação feitos pelas alunas da primeira turma do curso de licenciatura em artes visuais de uma instituição de ensino superior, na região sudoeste do Paraná. Neste estudo, as artes visuais contemporâneas fazem parte de experiências de “aberturas” nos modos de ver das alunas, provocadas por imagens de artistas e viagens de estudos a museus de arte e também pelas escritas produzidas sobre os estágios de docência e as pesquisas de TCC (Trabalho de Conclusão de Curso), criando movimentos de formação que marcam como cada aluna elaborou um modo de ser docente de artes. Essas experiências são vistas como expansão de possibilidades às alunas para perceberem de outros modos as realidades que vivenciam. Temas comuns ao dia a dia, como a