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MATÉRIA-PRIMA 1

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Se atentarmos nas dificuldades que os professores do ensino secundário indicam nas respostas ao inquérito, urge implantar em Portugal um programa histórico-artístico especializado que possa abranger toda a escolaridade obrigatória.4

O ensino da história da arte poderia contribuir para a valorização do património nacional e regional e deveria ser acompanhado, como muito bem é sugerido por Joaquim de Vasconcelos ou João Couto, por visitas aos museus e monumentos que se encontrem nas proximidades das escolas, proporcionando sempre o contacto directo com a obra de arte. Um conhecimento razoável da arte nacional pode auxiliar o desenvolvimento do turismo, a originalidade da nossa produção a nível do design e do artesanato e contribuir também para o desenvolvimento das economias locais. Poderíamos dar como exemplo o que se tem feito no Norte com a Rota do Românico, ou no Alentejo com a rota do fresco. A história da arte é ainda um elemento fundamental na formação ao longo da vida, mas essa será uma problemática a abordar noutra ocasião.

Notas 1. Título decalcado da obra de Cesare de Seta, Perché insegnare la storia dell’arte, 2008. 2. Tradução livre do italiano a partir da citação de Cesare de Seta. 3. Joaquim de Vasconcelos estudou num Gymnasio alemão, mas não pôde aí

prosseguir estudos por causa da guerra franco-prussiana. Em 1876 viria a casar-se com Carolina Michaëlis. Sobre o assunto ver Sofia Leal Rodrigues — O pensamento artístico de Joaquim de Vasconcelos. ArteTeoria, nº 4, 2003, pp. 44-45. 4. O sublinhado é nosso.

61 Revista Matéria-Prima, Práticas Artísticas no Ensino Básico e Secundário. ISSN 2182-9756. Vol. 1 (1): 56-62.

previstas no Currículo Nacional do Ensino Básico, Lopes (2004: 37) concluía: A disciplina de Educação Visual não contempla, no seu programa, conteúdos específicos no âmbito da História da Arte, optando por uma visão exploratória dos aspectos estéticos e técnicos das realizações plásticas. Para este autor, a disciplina de História é a única em que os conteúdos programáticos mais se aproximam das «competências essenciais» de foro histórico-artístico (Ibidem). Simplesmente, nas Faculdades de Letras podem-se completar cursos de História sem passar pela História da Arte, o que eventualmente, em nossa opinião, comprometerá a leccionação destas matérias no ensino Básico e Secundário. No entanto, por tudo o que ficou dito, consideramos que seria uma mais valia proporcionar o seu estudo no ensino básico e no secundário, reservando-a ainda, como opção, a todos os alunos do ensino superior. No seu estudo que partia de um inquérito realizado a professores do ensino secundário também Lopes (2004: 38) concluía:


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