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MATÉRIA-PRIMA 1

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Calado, Margarida (2013) “Porque ensinar História da Arte.”

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educação estética da mocidade portuguesa, se quisermos formar o gosto e manter íntegra a riqueza do nosso património artístico (1921: 15).

Considera João Couto nesta dissertação, que teve lugar no contexto do seu exame de estado na Escola Normal Superior de Coimbra, que apesar de se terem iniciado cursos de Arqueologia, História da Arte e Estética nas Faculdades de Letras, precisamente esse ensino não pode deixar de resultar deficiente e pouco proveitoso (1921: 16) porque os alunos não tinham qualquer preparação anterior. Embora fosse positivo o Regulamento de Instrução Secundária (nº 6675 de 12 de Junho de 1920) que previa as excursões escolares e visitas de estudo, sendo especialmente recomendadas visitas a museus, monumentos, locais históricos (1921: 19) fazia muita falta o estudo da história da arte, pelo que seria de uma evidente necessidade a introdução nos programas do curso do ensino secundário de uma cadeira de história da arte elementar. (1921: 24) Essa cadeira seria colocada no V ano, porque os alunos já teriam estudado a história desses povos e melhor compreenderiam a matéria e deveria ter três horas semanais, duas de aulas teóricas e uma de visitas a monumentos e museus. O programa estaria organizado em três partes: a primeira, correspondente ao período até ao Natal, basear-se-ia na recapitulação de conhecimentos com um manual bem ilustrado de história geral da arte, de estampas e, se for possível, de modelos autênticos ou copiados, caso na cidade sede do liceu haja museus ou estabelecimentos onde funcionem cursos especiais de arte com farto material de ensino (1921: 31). A segunda parte destinar-se-ia ao estudo dos monumentos e restos arqueológicos e artísticos existentes na cidade onde funcionasse o liceu e nos arredores. A terceira parte do programa constaria do culto da arte e a sua definição deduzida numa síntese final. (1921: 31) De seguida, exemplifica o que se poderia estudar em Coimbra, dentro da metodologia proposta. E conclui dizendo que esta cadeira de história da arte elementar procura acima de tudo despertar no aluno o culto da beleza, o respeito pelas obras e a admiração por aqueles que as souberam interpretar e executar (1921: 41) Na verdade nem os desejos de Joaquim de Vasconcelos nem os de João Couto tiveram concretização legal. A história da arte chegaria ao ensino secundário (não ao básico, a não ser integrada nas disciplinas de Educação Visual e História (Lopes, 2004: 13-18)) muito mais tarde e reservada aos alunos que pretendem seguir cursos artísticos, criando-se a disciplina de História das Artes (1991) que depois dará origem à História das Artes B, para os cursos Tecnológicos de Equipamento, Multimédia e Produção Audiovisual (2002) e à História da Cultura e das Artes para os cursos científico-humanísticos de Artes Visuais (Lopes, 2004: 20-21). A este propósito e relacionando com as já extintas competências essenciais


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